domingo, 10 de fevereiro de 2008

Reflexões de Anatole

Acendeu um cigarro pra clarear as idéias e enegrecer o pulmão. Mundinho junkie aquele. Eram 15h da tarde e ele nem tinha acendido um baseado; estava num tédio que não dava chance para o humor. Pior que o tédio era o remorso. Remorso do quê? De si próprio. Conviver consigo mesmo não era uma tarefa das mais fáceis. E quem conseguia?

Não se enterra parte de si mesmo de uma só vez. Conviver com as partes que lutam por controle não era uma tarefa fácil, mas ignorá-las não era o caminho, definitivamente não era o caminho.

Escrever estava fora de cogitação. Sua máquina de escrever velha, estava lá, convidativa, mas aquela tragada semi-feliz já denunciava: nada de pseudo-lamentos ou proto-depressões, o que estragava o momento, era a angústia, angústia não, sejamos sinceros, era mera ansiedade.

Ansiedadezinha sem importância(se tivesse tanta importância, algo teria escrito com certeza), sem jeito, que o incomodava progressivamente, mas sem desafiar quaisquer limites que poriam todo o jogo em risco.

Resolveu fazer café, na falta de cerveja, chá-preto ou café serviriam.

O pó estava escasso no fundo do pote, raspou e conseguiu o suficiente. Esquentou a água, e seu humor. Já esbanjava um sorriso, lembrou de uma piada antiga, que piada horrível, mas aí residia a graça. Era essa a graça.

Um comentário:

raphael m. disse...

Achei que o Anatole já era, assim como a ruiva e Vasilli.Mas gostei...
muito bom