segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Pessimista Saramago, é o mundo!

Alguns dizem que o que escrevo é pessimista.

Pessimista é o mundo que me obriga a escrever o que escrevo.

E se disserem que o mundo não é pessimista. Direi que não conhecem o mundo; que conhecem apenas, um basculhante de sua própria vida.

Se eles não enxergam e se desobrigam a olhar, sou eu, este filho da puta, a terrível cegueira?

Quem assiste o mundo por jornais ou pelo trajeto insoso do cotidiano, deveria olhar nos olhos da notícia: a pupila das favelas exterminadas cotidianamente, o canto da rua doído e infeliz, a criança cuja criança se perdera em trocados na pausa do automóvel e dos basculhantes!

Mas eles não olham.

E quando eu os faço recordar do extermínio dos pobres, da fome, de gente comendo lixo na ceia de natal. O bárbaro, pessimista e anti-cristão sou eu.

E eles, só olham e rezam católicamente à absolver a culpa de um mundo ruim.

Da próxima vez que disserem que sou eu o pessimista, ao invés de um palavrão, eu obrigo-me a dizer...

Que sádico é a imagem, não o espelho!

2 comentários:

Sofia disse...

Concordo que há injustiças, concordo com as diferenças. Mas você usa uma visão capitalista para concluir sobre felicidade e tristeza. Determinar que a falta de dinheiro tem como consequência única a infelicidade é ser pessimista.

Mr. Durden Poulain disse...

Não determinei que a falta de dinheiro tem como consequência a infelicidade, o determinismo foi de sua parte, e quem lê poesias sobre o determinismo não leu direito.

Mas acho também que a felicidade ou é coletiva ou é farsa.

Mas proponho um exercício retórico: visite um lugar onde você não viveria.

Funciona.

obs: deixe algum contato ou telhado de vidro para diálogo, adoro diálogos classe-média, odeio monólogos.