terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Hagiografia de pecadores

Júlia queria viajar para o Uruguai e levar a vida junto. O país recortado por fronteiras imaginárias e que nunca existiram esperou.

Renato, com uma ansiedade menor que o preço da passagem, aguardava um ônibus sujo, numa madrugada imunda do dia dezessete de um mês ruim.

Alessandra queria terminar uma poesia e só precisava de uma idéia ou de uma caneta, mas só tinha o número da conta do banco no bolso.

Miguel, transbordava emoção no centro da cidade, e seguia evitando as linhas de uma calçada no cruzamento da rua Ouvidor.

O sorriso de Augusto falava por ele; quando encontrava Luisa, seus dentes não acertavam o compasso.

Nicolai esperava alguma coisa acontecer, mas só lhe chegavam desejos impossíveis e balas de mascar nos ônibus mais desconfortáveis.

O coração de Joana guardava Felipe em um de seus cômodos mais aconchegantes, mas Enrico ainda tinha um esperança que o inquilino atrasaria o aluguel.

2 comentários:

Tainá da Rua Morgue disse...

Até eu aprender a fazer melhores comentários: gostei muito.

Ah! Quanto ao seu comentário: o trecho foi direcionado, a alguns maus-pseudos-libertários. Consegui o que esperava, mas não havia pensado nos libertários de verdade.

Um beijo

R.R. disse...

Eu não sei dizer a razão, mas este foi um dos melhores que eu já li. Simples, direto e SIGNIFICATIVO.