quarta-feira, 14 de maio de 2008

Metáforas: E quem entende?

Publicizei demais isto aqui.

E agora o que sobrou?

Ruiva, o que sobrou?

Olhei umas fotos antigas suas, você está mudada, todos mudam, mas você mudou para algo que eu não reconheço mais. Ruiva, quando o lodo da terapia começou a subir, eu fiquei preocupado em nunca mais conseguir escrever cartas para ti. Eu também me preocupei exaustivamente, em mudar meu estilo. Mas quem está mudando sou eu.

Sem ruivas a vida fica muito mais complicada ruiva.

Eu não sei exatamente onde eu termino e onde eu começo. É uma fase de mudanças.

Digamos que eu odeio a ciência ou todas as pretensões derivadas desta. A psicologia matou o encantamento do mundo ruiva.

Eu matei parte de você, quando aceitei frequentar aquele maldito divã, uma vez por semana.

Ele está me matando ruiva.

Ele está racionalizando o sagrado. Ele descobriu o que era para permanecer preso, intocado e coberto. E o pior. Com a minha ajuda ruiva.

Eu o ajudei a me destruir. Por que não sei bem, se um Vasilli feliz realmente será originalmente o Vasilli que nós dois conhecemos.

Sinto sua falta ruiva. Sinto sua falta na fila do metrô. Na despedida do ônibus, na brincadeira no canto da sala.

Eu sinto falta da tristeza que você me deixou. Eu sinto falta de sentir falta. Por que agora eu tenho quase tudo.

Sinto falta de grandes conflitos. Estou próximo a perder algumas coisas. Entendo outras. Entendo que os controladores estão onde menos se espera. Quando eu acendi aquelas velhas velas, olhei para seus olhos, e fui pingando a cera no seu corpo nu, e você gemendo de prazer, totalmente entregue àquele momento, eu percebi, e como percebi, que havia um quê de sagrado em nossa relação, eu mais sensorialmente voltado às letras, mas você, entregue e possessivamente me abraçava, sem parecer não tão possessiva e não tão submissa, o que de certa forma eu adorava, me envolvia em teu manto de certezas e beijava-me com vigor, com toda o esplendor do teu corpo.

Eu adorava, e te idolatrava, quando você mantia seu lábio junto ao meu, quando sua respiração ofegava em tentar me encontrar, quando eu perdia o controle e você, estava lá, não para me observar, mas para me guiar carinhosamente, entrelaçando seus dedos em volta ao meu, quando nós, em nossas sequências de carícias, e não eram sequências, por que esta palavra não é digna do que acontecia ali, em cima da cama, quando as coisas aconteciam; eu respirava fundo, eu me entregava a você, eu me dobrava como um sino, e nós chegávamos ao paraíso juntos.

Era interessante perceber, tentar relembrar velhos sonhos, tatear tua pele de forma como se fosse a primeira vez que eu tocasse um corpo humano, e você, fazia exatamente o jogo que eu imaginava, mas sempre me supreendia, e para isto usava um gemido mais forte ou mais fraco, e eu pensava que meu espírito situara-se além de um estado de bem e de mal.

Era noite e frio, mas ainda assim comprimíamos nossos corpos nus, e o mundo parecia não existir ao nosso redor, enquanto ensaiávamos jogo de gato e rato com nossos lábios, com nossos sexos e corpos, imbuídos de prazer, fluidos e vontade de nos jantarmos mútuamente.

Era simplesmente tão espúrio à vista de falsas liberdades superficializadas por metas emocionais quase que administrativas, que nossos sonhos vinham a tona, e conseguíamos por um momento nos libertar das maiores prisões.

Vou prosseguir. Beijando teus olhos no infinito.

Mesmo que eu não te encontre nunca mais, miragem necessária.

Um comentário:

raphael m. disse...

Cara considerando a tematica ruiva, foi o melhor conto que vc escreveu.