quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Cotidianos...

Um desabafo aleatório, mas extremamente pertinente, título bom, texto ruim.

Minhas aulas iniciaram há cerca de duas ou três semanas atrás. Tive alguns problemas com a minha inscrição em disciplinas então tentei resolver com os funcionários da secretaria do meu curso. Inútil. Percebi que estavam todos muito estressados, pois o sistema estava caindo, não funcionava e a quantidade de reclamações era absurda. O nome do sistema é SIGA, carinhosamente apelidado pelos alunos de SIGA para o inferno.

O problema segundo eles é a minha interação com o computador; é questão de empatia com o bichano. Apesar de ter trabalhado uns cinco anos com informática, eu não sei segundo os burocratas da minha faculdade, lidar com o sistema infeliz que implantaram naquela bodega.

Passei por três ou quatro funcionários, o habitual, "joga p'rum lado, joga pro outro que o imbecil cansa.

Resultado, cansei.

Vou atrás de minhas fontes primárias, o atendente me pergunta se eu não tenho um pen-drive, "se você tivesse um pen-drive copiaria tudo para você agora... é muito mais fácil replica. Não, não tenho um pen-drive, vinte reais para um desempregado é uma verdadeira fortuna, quase 1 mês acumulando dependendo da conjuntura.

Fui na biblioteca pegar alguns livros emprestados, mas a biblioteca está fechada para "atualização do sistema". Não é possível pegar nenhum tipo de livro, apenas consultar dentro das instalações.

Vou para outra biblioteca, dita "pública", a biblioteca do Centro Cultural Banco do Brasil, lá me indicam que apenas funcionários do dito patrocinador podem pegar os tais livros, mas como eu sou cadastrado na biblioteca do IFCS, eu posso solicitar um "requerimento" na biblioteca onde estão atualizando o maldito sistema e aí retornar a biblioteca do CCBB para pegar o precioso livro. Não sei por que me recordei do senhor K, e do "Processo" do jovem Kafka.

Vou para o IFCS, lá a bibliotecária me informa que só é possível EMITIR o tal requerimento com o sistema funcionando(papel e caneta estão fora de cogitação, afinal é uma faculdade de História, Filosofia e Ciências Sociais).

Resultado, não posso pegar o livro nem na biblioteca da faculdade, nem na biblioteca do CCBB.

Lá, seguindo minha vocação de pseudo-pesquisador, vou me embrenhando nas prateleiras(um esporte delicioso diga-se de passagem) para fuçar outros livros. Trinta segundos depois, um funcionário pergunta se eu quero ajuda: típico ato oriundo de um regime de controle disfarçado sob o comportamento de um funcionário "que só quer ajudar".

Não eu não quero ajuda. Ainda consigo ler, amarrar meus cadarços e nunca tive Alzheimer. Além disso eu gosto de procurar os livros na estante da biblioteca: é um esporte de gente pobre, mas honesta(eu não vou roubar os livros da biblioteca - meu espírito é de cão vira-lata, não de porco).

Desco para o pátio do CCBB, resolvo relaxar e terminar de ler um capítulo de um livro do Edgar Morin, mas uma das minhas pernas incomoda uma segurança que diz que eu não posso colocar a perna SOBRE o banco. No dia anterior o guarda do metrô, incomodou-se por que eu sentei no canto do vagão. Emprego bom esse, vigiar comportamentos alheios, tornar o corpo dócil, discipliná-lo, mesmo que o objetivo seja apenas este mesmo: DISCIPLINÁ-LO.

O engravatado do banco ao lado, acha graça da postura da segurança... "Que palhaçada..." Diz ele.

Sim... concordo totalmente.

Incomodado e desconfortável, vou a biblioteca Nacional, lá sou informado que não é possível fazer empréstimos de livros, os livros são apenas para consulta, como me esqueci deste detalhe óbvio.

Vou para as pastas das xerox's, para ver se encontro algo do que procuro, não acho nada, o que acho sairia muito caro para fotocopiar(a xerox custa de 0,9 a 10 centavos, custo demasiado alto para um desempregado).

Talvez o livro se encontre a um preço popular em alguma livraria, ledo engano que o google me corrige rápidamente.

Desisto do livro por enquanto. Esperarei os humor dos controladores dos sistemas disciplinares e tecnológicos melhorar.



4 comentários:

Tatiana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tatiana disse...
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Rosa disse...

Na Biblioteca Euclides da Cunha,que fica na Rua da Imprensa 16 - 4º andar. Talvez lá tenha o livro que você procura e el@s fazem empréstimo, e aí tendo a carteira dessa biblioteca, você pode pegar um livro no CCBB.

Boneca sem manual disse...

e existe uma fotocopiadora na frente do ifcs, onde a fotocópia custa R$0,06. É só vc pegar os textos emprestados com alguém e tirar lá.