quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Sacramento Póstumo

Por José Oiticica

Quando eu morrer, sê tu o meu coveiro:
Enterra-me tu mesma em teu jardim
E, sôbre a cova, num vulgar canteiro,
Cultiva rosas e medita em mim

Bendize êste destino alvissareiro
Que nos uniu tão de alma e corpo, assim,
Que te fêz Dama e a mim teu Cavaleiro
- Um palafrém atrás de um palanquim.

Projeta, no incorpóreo onde me alento,
O calor emotivo dos teus ais
E as rutilâncias do teu pensamento...

E assim, amar-nos-emos inda mais,
Erguendo, num piedoso sacramento,
As nossas duas almas imortais.

Em breve conto a história desse fabuloso poeta anarquista...

Um comentário:

Karina Meireles disse...

Muito bom!
^^