domingo, 25 de novembro de 2007

Como se fosse possível articular algo além da solidão


Eu fiquei no meio do caminho. Tri-partido num pedaço de rua, ainda não esquartejado emocionalmente, mas sinceramente esperando algo de relevante acontecer. Olhando velhas ausências acenarem, rodopiando em meio à lugares outrora mágicos, deliciosamente envolvido pelo ritmo da música. Enquanto as pessoas iam, voltavam e iam novamente, eu percebi que a solidão pode ser o real caminho, o caminho real, real no sentido de monarquia, "o estado sou eu", "a solidão sou eu" (palmas para os risos em auditórios, pessoas se levantam em tom absolutista com sorrisos artificiais em volta a cenários de isopor e neon dos anos 80, há algum tipo de música decadente dinamizando todo o ambiente).

Construí os mesmos desafios e repeti as mesmas indagações intencionando criar um drama pessoal. O que fazer com um mundo vazio além de colorí-lo ou transformá-lo em algo surpreendente? (o apresentador sorri e roda os cartões entre os dedos, talvez tenha gordura nas mãos... ou seja esperma seco)

Apesar disso a obviedade está em todos os lugares.

Não há mais surpresa no óbvio. Por que do óbvio nada se espera. Do óbvio só se tiram velhas lições. E de velhas lições, o mundo já está cheio. Surpreendentemente cheio. Como as velhas lições podem oferecer(cherrleaders fictícias, feitas de isopor dançam ao som de músicas copiadas de um filme pornô dos anos 80).

E foi pensando nisto, que resolvi me afastar do óbvio, de ignorar a obviedade alheia e de ficar vagando no centro da cidade. Por que vaguear, vadiar, ou flanear utilizando um velho conceito do célebre João do Rio, é uma necessidade dos desesperados; desespero dissimulado, até por que quem vaguearia com um belo par de olhos ao lado? Vaguea-se, flanea-se a procura de um ponto fixo, de uma barra que como diz algum cientista cartesiano, "moverá o mundo"(o apresentador é enforcado numa figueira de três metros e sessenta e sete centímetros - as pessoas rodam em volta sem saber que não há uma única verdade).


E andei. E andei. Andei sem pontos de finais ou interrogações. Andei pensando em explodir meu diafragma de cansaço. Mas cansaços, e canções não enchem diafragmas, nada enche diafragmas além de um pouco de esperança emoldurada em serrotes emocionais. Serrotes emocionais eu disse.

Há uma parte espalhada de mim temperando você nos finais de semana. Há uma opinião vice-versa. Há um verso estruturado sobre falsos versos, sobre certos caminhos. Há caminhos.

Cerveja no chão do quarto, ao lado de deus e das caixinhas, das latinhas, da falsas, das farsas espinhas, das perdidas acracias.

Explodir, andar, caminhar, pesar, chorar. Cá estou eu!

Perdido! Com pianos vendidos! Com sangue nos dentes, com emoções crescendo sobre os cabelos!

Há neon, apresentadores dos anos 80. Há algumas farsas. Há falsas criatividades. Há um cheiro de morte, rondando a carência, toda a carência, no ar.

2 comentários:

R.R. disse...

Durden, devo dizer que suas viagens aqui são ótimas, cara. Queria ter o seu ânimo para alimentar meu blog...

RM disse...

Cara tem dias que vc me inspira...
fico me perguntando se sua vida é tão pós-moderna quanto me parece.