sexta-feira, 29 de junho de 2007

Títulos bons para textos ruins

Eu pensei em tantas pessoas quanto pude lembrar ao escrever este conto. Foi um exercício. Talvez tenha esquecido de muitos. E também é muito provável que vocês estejam aqui. MUITO MESMO. Há tantas pessoas quanto as partes que vivem em mim. Procure-se aqui, deixe seu nome e identifique-se com os fragmentos CITADOS nos comentários, verei o quão oracular posso ser.

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Estávamos lá. Nos encarando. Você cultivava seu orgulho e eu minha fé no desastre.

Não era tão fácil quanto apertar botões do acaso e aguardar algo chegar, era apenas algumas metas pessimistas chegando. Era suicídio parcelado. Você me falou que eu era um errático. Eu lhe respondi que você já tinha tomado a pílula da consciência. Consciência traz iluminação, não felicidade. São coisas distintas.

O soluço de morte que nos venderam tinha nomes bem definidos, mas a única coisa que eu conseguia pensar era sobre problemas que eram só seus, só seus. Visitar terapeutas nos finais de semana, apertar parafusos nos intervalos e avaliar quem era você entre tudo isto.

Quando você consumia demais eu lhe pedi para parar. Você continou por orgulho. Apesar de sua inteligência emocional avançada, você era um pouco xiita.

Odiava interpelações, por que era uma viva. Racional demais para eu amar. E muito arriscada para eu prosseguir em minha auto-flagelação. Você era estranha.

Em alguns momentos eu me sentia centrado como um espírito de um mosteiro. Isso no entanto, não me fazia feliz. Álcool era mais apropriado para eu me esquecer da política de auto-destruição inconsciente que eu encomendei há alguns dias atrás.

E mesmo assim, as coisas iam queimando ao nosso redor e eu assistia o par de valetes esvaírem-se em fogueiras frente aos possíveis e impossíveis desejos, liberais e liberados, eram desejos que nos consumiam. Era a sinceridade que nos consumia.

Deste parágrafo em diante eu só pensava em você. Verdadeiramente, em você. Por que só você correspondia às minhas tristes idealizações.

E doía. Doía tão rápido e intensamente quanto meus acasos, quanto meus casos, que eu costumeiramente ia chafurdando em minha lama emocional. Por isso me evitavam.

Mesmo sob as pupilas, a luz perspassava meus sonhos. Eu tinha grandes desafios, grandes desejos e grandes abismos por caminhar.

Abri a janela, por meras conveniências gramaticais; era um estilo próprio. Outra corrida e eu chegaria no alto das estrelas.

Amanhã sobreviverei como todos vocês, apesar do que, não há idade para morrer ou viver sob o céu ou o brilho de estrelas que cartesianamente já estão mortas.

3 comentários:

raphael_rfo disse...

Cara é impressinante como eu me identifco com seus contos.Eu já leio o seu blog há uns dois ou três anos, e sempreme identifiquei com quase tudo, você tá de parabéns...

Mr. Durden Poulain disse...

Ah... legal... que bom que alguém se identifica... indica que há outras pessoas com as mesmas angústias ou experiências semelhantes espalhadas por aí...

isso prova que eu sou apenas um canal ...

valeu.

FernandoR. disse...

a imagem e o final do texto:

"não há idade para morrer ou viver sob o céu ou o brilho de estrelas que cartesianamente já estão mortas."

=)

vamos ver quanto oracular eu posso ser.