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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Das Piores Dores

As piores dores eram as que pairavam por sobre o ar, assim tão ingênuas e covardes, pois nem coragem possuíam para se concretizarem em algo concreto. Nem nos tickets de metrô, nem nas dores que falavam pelos rancores.

Não possuía nem tinha em mãos aquilo que pudesse ser suficientemente apontado numa situação objetiva que despertando ódio ou choro, apenas falasse por si só, assim sem intermediários; e que ao invés de se esconder por detrás de um abismo oculto e covarde dentro de si mesmo resolveria mover o corpo e a alma em direção à uma desistência legítima e que provocasse algum afeto guardado mas verdadeiro.

Mais nem aí, nem na segunda ou terceira situação limítrofe contava com as lágrimas que limpavam o terreno e os olhos, sentimentos, para um novo cultivo; atingir as situações limítrofes não eram tão difíceis, mas chorar por elas tornavam-se cada vez, demasiado raras e ocasionais.

O limítrofe avançava cada vez mais a oeste, e perdido no horizonte que ele esquecia dormindo às quatro da manhã, cujas lágrimas eram diamantes cada vez mais raros, e a dor transformava-se em uma visita banalizada, costumava dizer que algo precisava irromper.

A possessão tomou conta dos sonhos, e em nenhum momento Soto Maior logrou uma ajuda que não se esvaziasse em si mesmo.

Soto Maior, cujas mãos não encontravam mais as lágrimas nem os olhos, cujo cultivo de si próprio, provocou desistências, cortou-a, pelas beiradas, e depois de acabado o intento, queimou-a com um isqueiro, parte por parte...

E assim aquela carta esfarelou-se consigo próprio.

(...)

Amanhã enfrenta o mundo; amanhã, secará lágrimas inexistentes. Amanhã ele buscará mais pontos limítrofes. Estes não bastavam.

E era disto que tinha realmente, medo. Medo.



quinta-feira, 25 de setembro de 2008

As coisas que se desmontam

Normalmente olho para textos antigos, folhas de caderno soltas, envelopes abertos, para me inspirar.

Mas é tudo merda. Merda.

Quando olho para aquela parte boa, aquela parte singela e ingênua de mim que costumava acenar no domingo de sol; eu paro e digo: seja realmente rapaz, seja realmente o que você é.

Este rapaz que tenta se inspirar em folhas, e cadernos soltos. Seja o que você é.

Uma repetição. Talvez otimista.

E quando o mundo cai, e preste bem atenção, o mundo cai sempre nos finais de semana errados e nas tardes em que ninguém além de você percebe, os significados e os significantes costumam fugir pela janela do ônibus.

Com sorte há uma anomalia, um desvio padrão que obriga a dizer um ou dois palavrões.

E tudo volta.

Mas há um momento em particular, um momento bem catastrófico, apesar de interessante e comum, onde as regras do jogo parecem não ter mais sentido. Na verdade, o próprio sentido parece não explicar-se; o sentido não mais existe e o absurdo reina.

Reina dentro de você. Apenas você.

A organização das casas, o formato dos portões, a velocidade e forma dos carros, as pessoas indo de um lado ao outro, dia após dia; os botões, os livros de pós-estruturalismo, os livros que negam o pós-estruturalismo, a gramática, alguém que resolve não pensar nisso tudo, o planeta terra, as geleiras glaciais, o deus cristão, a organização da poesia, pensar sobre o caos. E você.

Café da manhã.

Não. Não há sentido. O absurdo, quando não vem enlatado em situações limite, implica serendipidade, implica desapego.

Apesar do quê. A merda do desapego é o contrário do que pretendo aqui. Pronto, falei tudo.

Não se deve falar assim, tão explícitamente explícito como um aparelho excretor em funcionamento, mas a verdade é que parte de mim não gostaria de transformar um texto tão bom num requiém gramatical. Mas mesmo assim você já transformou minha vontade na sua vontade. Teu infinito me consumiu e sim, você está certo, não há espaço para infinitos coexistirem.

O texto acaba por aqui: mas ele prossegue.

Começando do princípio, e voltando ao normal, o que eu queria dizer é que tem dias que a gente não é humano. E você sabe disso melhor do que eu. E eu não preciso me esforçar para explicar algo que o absurdo lhe contempla. Não olhe para cá, olhe para dentro de si numa noite vazia, numa sequência de dias ruins, mas isto tudo é pouco para um dia em que você resolve tomar uma boa dose de absurdo e esvaziar as garrafas de abscinto de sentido. A noite normal que nem as anfetaminas lhe dirão algo. Pois o algo já se perdeu falido no origami reproduzido sequencialmente pela eternidade.

Tem dias que a gente enlouquece e ainda produz cadernos soltos, envelopes vazios, contos ruins.

Há dias que o absurdo nos engole.

Há dias em que coisas absurdas acontecem.

E acabam. Acabam assim, como começaram, dentro de você.

domingo, 13 de abril de 2008

Verde e Vermelho para sempre


O vermelho (do latim vermillus – "vermezinho": a cochonilha) é a cor do sangue, sita no limite do visível do espectro luminoso (abaixo deste comprimento de ondas, o infravermelho, não é mais perceptível pela visão humana). Também é conhecida como escarlate ou encarnado. É cor-luz primária e cor-pigmento secundária, resultante da mistura de amarelo e magenta.

* O prefixo grego para vermelho é Eritro-.


O verde é uma cor-luz primária e uma cor-pigmento secundária composta pelo ciano e amarelo. Está aproximadamente na faixa de freqüência 550 nm do espectro de cores visíveis.

Verde também representa a luta no mundo de movimentos de proteção ao meio-ambiente.

Retirado da wikipedia.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Yin x Yang

Sempre acreditar. Olhar para frente. Encher os pulmões de utopia, cavar pequenas soluções. Usar o pessimismo para construir alternativas. Rezar não ao metafísico, mas ao equilíbrio. Juntar forças, reunir idéias, cavar soluções. Plantar e distribuir liberdade. Chorar, perder, recomeçar.

Sorrir. Reagir!

Ser contraditório faz parte, não há vida sem contradição mas é na ação que há o maravilhoso desejo de mudança. E como dizem em 68, "Ser realista, exigir o impossível."

quarta-feira, 5 de março de 2008

Disputas Interiores: Durden ou Poulain?


Olhando para tudo o que aconteceu, tinha quase certeza de que o caminho, sim, pois era seu sem dúvida, era um caminho pra lá de interessante. A maneira com que recriava a vida ao seu redor, era em suma, parte de um processo global, isto é verdade, e acreditava e confiava nas redes que o envolviam, e tudo, tudo, dizia lembrando daquela terça-feira mágica, era parte daquela trilha, daquela estrada, deste caminho, ríspido, suave, intenso, jocoso, brilhante.

Poderia encher o copo da vida uma ou duas vezes, antes de experimentar a dor, e o que era a alegria sem a dor, o que era a paixão sem o ódio, o que era o dualismo sem o relativismo, o que era ele próprio sem si mesmo!!! Confiar no sagrado era o início de um processo curto de esperança. Era um feixe de respiração otimista.

Fazendo um balanço sincero e motivado de seus/meus próprios costumes lembrava demasiadamente das músicas tristes, das cartas sinceras, das lágrimas despejadas sob o copo de cerveja preta, que ele, sim, ele tanto adorava. Era um romântico incurável, e românticos incuráveis, necessitam de mais tempo, nenhum tempo é tão escasso, quanto o tempo dos românticos incuráveis. Ele sabia, e demonstrava a cada gesto, que era uma junção de simplicidade explorada demasiadamente pelo destino a ponto de exaurir seu próprio otimismo; e no entanto conseguia a cada respiração, ser visitado pela morte sete vezes, assim como os budistas; e que deus os tenha.

Mas lhe faltava maldade. Não se referia ao mal convencional dos filmes hollywoodianos ou das igrejas de final de semana; faltava-lhe, e podia perceber a cada evento, uma percepção mais nítida, e a este ponto preferia a palavra parceria como o oposto do que ele era e negava.

Era claro e necessário, que ele deveria fortalecer aquele lado escuro, que tanto deixara-se ofuscar por sua parte mais criativa e dera a uma ampla gama de jogadoras, a oportunidade de deliciarem-se com modelos paranóides produzidos sob situações de tensão; ou diria melhor, bonequinhos perfeitos, imagens projetadas no espírito do tempo a partir de espasmos pré-românticos, mas veja bem, e preste atenção neste período, neste momento, tão particular e talvez inovador... espasmos pré-românticos são como comportamentos clichês às sete da manhã.

"Passe-me a manteiga por favor! (me passa a porra da manteiga!!!)."

O espírito do tempo não estava com ele desta vez(nunca esteve). Adaptaria-se?

Adorava utilizar opostos para explicitar a si próprio; água x fogo, yin x yang, sombra x luz e como a modernidade lhe impunha novas e sensacionalistas abordagens, Anatole resolvera escolher a dicotomia durden x poulain, que era um produto de filmes baratos que resolvera rever para explicar a si mesmo e aos leitores(dois ou três - num dia de sorte) o que era dicotômico em sua, em nossa, personalidade. (se você chegou até aqui parabéns! força! continue!)

Oposições que se completavam, mas que neste momento digladiavam-se em torno de uma resposta. Ele vai ter de escolher - diziam nos corredores do inconsciente.

Conseguiria trazer sua sombra?, sim ela dizia faminta - você consegue meu jovem, enquanto jovem; conseguirá empurrar mais para o fundo esta velha, sim, pois anime-se os anos 90 já acabaram junto com suas camisas de flanela, esta velha-idosa Poulain, espírito ultrapassado e prestes a reanimar o velho Durden, este arquétipo raivoso, esta parte de si que calava todas as vezes em que se confrontava com a doçura de uma parte de si que predominara durante todo o jogo; deixe ele tomar as rédeas da situação, deixe o velho durden dominar.

É claro que isso tinha um custo. Ele sabia, e dialogava muito oportunamente com os dois, com meio cigarro na boca, e um copo de cerveja preta, olhando para o horizonte(e seu horizonte era bem limitado por cinco ou seis prédios - isto dependia da quantidade de vodka) que tal tarefa não era tão fácil como poderia aparentar.

Sabia exatamente, que um estava em posição mais vantajosa do que os demais; Vasilli não admitia a princípio, mas as queimaduras de cigarro de quatro ou cinco anos arriscavam palpites de quem ganharia naquele momento o jogo, e isto era suficientemente claro para demonstrar que era hora de cultivar um caos dentro de si, não uma estrela brilhante, mas uma super-nova que talvez conseguiria gerir algo novo... de uma vez por todas.

Matar Poulain, enterrar Durden, talvez seja o caminho.... Ele não sabia exatamente...

Talvez devesse seguir o fluxo, parece fácil quando não se escreve por compulsão. Nada constava como editável, aproveitável; o lixo literário estava aí. O excesso de cerveja preta denunciava que seria mais durden do que poulain e não, ele não aceitava conselhos, por que esta mudança era temporária como toda mudança (normalmente) é. Decerto a maioria inspirava-se e acostumara-se a conviver mais com Vassili em sua fase "Poulain", fazia sentido, já que o espírito do tempo abortava milhares, milhões de Amélies Poulains sistemáticamente...

E a gente costuma projetar no outro o que a gente quer ser. E assim fica fácil pedir para Vasilli ser mais Poulain. Quando o que ele quer. É ser mais sombra, é ser mais durden.

[sorriso da ruiva no canto da sala - cigarro na boca, fumaça no ar, ele dormindo, ela acordada, vestindo preto, sofá sujo, gato preto na casa, lixo no quarto.]

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Meditações

Hoje, resolveram me acordar cedo. Recebi um telefonema de madrugada, uma amiga sofreu um acidente, nada grave, mas tive de resolver um problema às 4h da madrugada. Quando tentei voltar a dormir, inevitávelmente não consegui de imediato, o que me fez ter de relaxar. E quando minha mente está muito acelerada/confusa eu tento meditar. Eu disse tento, por que esta mente ocidental-cristã está demasiadamente acostumada com o caos. É difícil parar. A meditação de certa forma lhe força a esvaziar-se. E isto não é fácil para quem enxerga(mesmo que inconscientemente) o estado de vigília da mente como um estado "natural".

Não sou um especialista sobre o assunto(estou bem longe disso); mas sento na posição mais confortável(em semi-lótus normalmente), tento relaxar o corpo. No início é complicado, por que o corpo não relaxa, uso a técnica de "perceber" minha respiração(foi a técnica mais adequada que consegui encontrar até hoje), e fico com os olhos semi-abertos ou fechados(seguindo algumas técnicas sufi). Um bom caminho, é respirar profundamente e naturalmente, perceber o descompasso(ou compasso) da respiração, esvaziar o pensamento(esta é a parte mais difícil) e relaxar os músculos sempre no movimento de expiração. As costas começam a doer de imediato, o corpo tenta se ajeitar, mas é na verdade a mente que dá as cartas no jogo. Após os primeiro minutos de desconforto inicial, em que os pensamentos começam a fluir aceleradamente(e que a mente reluta a aceitar o encontro ao vazio interior), o corpo começa a relaxar. Os músculos se desenrijecem, a mente se aquieta mais(alguns entoam mantras para facilitar - não é meu caso).

Há um momento de paz interior que começa a se delinear; é claro que nunca fui tão longe, minha mente está totalmente condicionada ao barulho, a profusão de pensamentos: como toda mente sob o signo da era moderna, presa nas expectativas do futuro e nos fatos do passado.

Mas há um momento interessante, em que o corpo relaxa mais profundamente, a mente desacelera... Sinto até uma tontura, quando vou mais longe, sinto-me fora daquele espaço físico, a mente gira, é uma sensação interessante.

Após, estou completamente relaxado e consigo dormir com mais facilidade. Não chega a ser uma experiência mística, mas é um calmante natural, que todos nós poderíamos desenvolver se para isso nos dedicássemos. Evitaríamos prozaks, fluoexitinas, e outros ansiolíticos e remédios produzidos pelas indústria$ da "felicidade".


segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Depois de um testemunho surgiu-me a inspiração

Eu sou um bruxo. É verdade. Um bruxo. Chamem o bruxo, me de bruxo - falaram uma vez. Não há motivos em me chamar quando não posso voar. Voarei por cima dos sonhos alheios. Voarei por cima da ruiva, do ruivo, do francês, do não francês. Pegarei o metrô em paris. Mas isto é um sonho. Paris, e a Torre Eiffel e um idiota de camisa verde colocando moedas num telescópio fazem parte de um sonho. É bruxaria. Queimem os bruxos! É bruxaria.

Fazer planos(correr, fugir).

síndrome do pânico [muita gente].

Momentos em euforia[pouca gente].

Além
disso.

Há carência. Carentes, em filas, exterminados sistemáticamente de forma industrial. Na verdade. Os exterminados são os exterminadores, licença poética a parte. À parte. Por que aos fascistas nem água! Nem água! Exterminadores são exterminados. Exterminam-se. Matam parte de si. Matam-se inteiros. Matam a parte humana da humanidade; e isto dolorosamente não é redundante. Hiroshima e alguns dias depois, e serão nestes dias que teremos esta prova, provarão, redundarão neologismos, e teorias em pseuo-poemas.

Con
Cre
Ta
Men
TE

Mente! Mente!

Mente poema! Tu mente! Usted! Mentes!

Menta. Menta planta-se. Ouviu? Planta-se.

Planta-se como sonhos, sementes oníricas, que percorrem cervejas sem álcool. Faltam poucos dias para acabar o tal ano velho.

Faltam poucos dias, poucas horas que parecem eternidades.

Esta terça não importa. estarei num lugar espiritual.

Pois é tudo meio de esquerda, meio farsante.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

O Desapego

Tradução não muito fiel, mas o significado é profundo

As palavras corretas nem sempre são agradáveis.
As palavras agradáveis geralmente não são corretas.

Os homens sábios jamais discutem.
Os que discutem estão mal informados.

O homem sábio não fala muito.
O sábio não é necessariamente instruído.
O instruído não é necessariamente sábio.

O sábio nada possui, nada mantém na memória mas serve a todos e com isso tudo possui.

Já que continuamente se dá a todos; no fim, conquista o que nunca desejou.
O caminho Perito conduz ao Céu, é sempre benéfico e não conduz qualquer mal.
O sábio é o que segue o Tao, o que possui pratica a não-ação e com isso serve aos outros
E jamais será a causa de uma luta inglória.

Tao Te Ching

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Parando para pensar e pensando para parar

Não tenho a intenção de achar maneiras de acabar com a depressão. A depressão traz a lentidão, um movimento contrário à mania, intimidade. Ela abre a porta a algum tipo de beleza. Logo, parece haver algo lá dentro além da forma como você, o ego, enxerga,” (James Hilman)

Já faz algum tempo(não muito é verdade) que eu resolvi parar. Parar. Tudo começou com o Wu-wei do taoísmo, a não-ação. Contudo eu fui além. Além do Wu-wei. Fui, mas não estou.

É engraçado. Tudo começou com uma discussão política. Sobre a metáfora do trem. O trem que deve parar na estação. O trem que se movimenta mais rápido do que eu. Mais caralho, quem é que move a porra do trem? Sou eu. Somos nós. Todos nós. No meu caso particular: eu. O trem está se movendo mais rápido por que há pessoas movendo a porra do trem mais rápido do que podem suportar. No caso eu. "Há muito trabalho a ser feito". Há. Há muita coisa a ser feita. Eu enxergo o todo. Eu coloco o todo nas costas. Não tenho que parar? Será mesmo?

E quando não é a paixão que me move, quando não é o desejo, quando é simplesmente uma mania, idéia fixa. Algo que eu sou movido. É isso mesmo? Viverei assim? Não é hora de brecar. De pisar no freio. De dizer: chega!

Não é hora da reflexão? Conseguirei? Será que o que eu movo é parte de mim a ponto de se eu tiver que me livrar disto, mato uma parte do meu eu?

Pois bem. Penso em parar. Em parar por algum tempo. E só penso: "há pessoas que precisam de mim". Mas que merda cristã! Mas que merda cristã! Desejo eu viver na transcendência? É isso mesmo?

Não é hora de parar? Não seria a hora exata de parar? Irresponsável! Talvez sim! Talvez Sim! Já fiz muito avanços, penso eu! Já consegui dosar exatamente onde posso focalizar. Onde posso atuar.

Mas ainda assim, ainda assim. Dúvidas me cercam. Dúvidas existenciais. E quem não as teve que atire a primeira pedra! Estou em tudo! Estou em tudo! Estou em nada? Não... Estou mesmo. Estou. Mas quando pensei em mim? Quando foi a última vez que estive integrado. Quando foi que voltei os holofotes pro meu eu?

É tão divertido! Caramba! Sonhos a parte eu me divirto com tudo isso! Divirto-me em mudar o mundo! Gosto de ser odiado! Odeie-me burguesia! Odeie-me! Piadas internas!

O que sou? Sou parte da transcedência, ela é parte de mim! Há algo superior nisto tudo? A mudança! A mudança!

E o que quero. O que desejo. Alguém que simplesmente compartilhe da mania? Alguém com idéias fixas? Não posso parar então? Tenho que fazer alguém acelerar? Mas que merda egoísta! Que merda obreirista! Que ritmo fabril!

Febril!!!

Fiquei doente esta semana. Resfriado. Vírus. Foi necessário pra parar. Não me parou totalmente. O que mais preciso pra parar. O que mais?

Sei lá. Divagações são necessárias.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Isolation - Joy Division

In fear every day, every evening,
He calls her aloud from above,
Carefully watched for a reason,
Painstaking devotion and love,
Surrendered to self preservation,
From others who care for themselves.
A blindness that touches perfection,
But hurts just like anything else.

Isolation, isolation, isolation.

Mother I tried please believe me,
I'm doing the best that I can.
I'm ashamed of the things I've been put through,
I'm ashamed of the person I am.

Isolation, isolation, isolation.

But if you could just see the beauty,
These things I could never describe,
These pleasures a wayward distraction,
This is my one lucky prize.

Isolation, isolation, isolation, isolation, isolation.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Sonhos que não aconteceram

Subo as escadas. Encontro uma passagem à esquerda. Há quebra-cabeças a serem montados. Saio, subo mais escadas. Entro no vagão do trem. Está cheio. Uma música francesa no fundo. Eu desco. Pego flores. Chuva de rosas. Pétalas. Cubro-me. Está frio. Caminho pelo frio. Paralelepípedos. A ruiva sentada num deles. Eu olho para o sol, para as grades verdes. Ela desaparece em seguir. Há cigarros no meu bolso. Eu tento acendê-los. Há uma árvore. Não há isqueiro. Notas amassadas, pontos amassados, placas enferrujadas e uma caneta no bolso direito.

Venta demais. Está frio, escuro, é parte da noite. Caminho. Há um gramado. Uma pedra, uma cachoeira, um lago agradável e um encontro que não aconteceu. Há um círculo no meio disto tudo.

Eu fecho o livro. As borboletas ensaiam uma nova esperança. Novamente, fecho e abro ciclos.

Espanto a monotonia. E os dias incrívelmente demoram a passar.

sábado, 30 de junho de 2007

Conselhos próprios

O horizonte logo chegará. O céu obscuro, as nuvens carregadas, não impedem a chegada do novo, apenas o escondem.

Semana pesada. Dias pesados. Insônia, cansaço e decisões internas sendo paridas.

O instante da transformação não é percebido. Internamente as coisas caminham, por outro lado externamente a mudança não é sentida e nem pode ser avaliada. Não me conhecem. Não sabem por onde andei. Não podem ler minha mente. Podem apenas sugerir, adivinhar, arriscar algo que não conhecerão. Escutar-me. Sentir a pulsação. Cultivar o amor independe da doce solidão.

Ser completo. Não idealizar(algo delicioso no entanto), retirar-se, sentir o tempo, deixá-lo fluir.

À mediocridade apenas a indiferença. Gastar energia eliminando a mediocridade é esforço morto. À indiferença o destino. Ele se encarregará de tudo.

Trilhe seu caminho. Não vendo minha essência, não me rifo.

Por enquanto apenas busque paz e por favor, feche a maldita porta da geladeira da próxima vez.


sexta-feira, 29 de junho de 2007

Títulos bons para textos ruins

Eu pensei em tantas pessoas quanto pude lembrar ao escrever este conto. Foi um exercício. Talvez tenha esquecido de muitos. E também é muito provável que vocês estejam aqui. MUITO MESMO. Há tantas pessoas quanto as partes que vivem em mim. Procure-se aqui, deixe seu nome e identifique-se com os fragmentos CITADOS nos comentários, verei o quão oracular posso ser.

___________________________________________

Estávamos lá. Nos encarando. Você cultivava seu orgulho e eu minha fé no desastre.

Não era tão fácil quanto apertar botões do acaso e aguardar algo chegar, era apenas algumas metas pessimistas chegando. Era suicídio parcelado. Você me falou que eu era um errático. Eu lhe respondi que você já tinha tomado a pílula da consciência. Consciência traz iluminação, não felicidade. São coisas distintas.

O soluço de morte que nos venderam tinha nomes bem definidos, mas a única coisa que eu conseguia pensar era sobre problemas que eram só seus, só seus. Visitar terapeutas nos finais de semana, apertar parafusos nos intervalos e avaliar quem era você entre tudo isto.

Quando você consumia demais eu lhe pedi para parar. Você continou por orgulho. Apesar de sua inteligência emocional avançada, você era um pouco xiita.

Odiava interpelações, por que era uma viva. Racional demais para eu amar. E muito arriscada para eu prosseguir em minha auto-flagelação. Você era estranha.

Em alguns momentos eu me sentia centrado como um espírito de um mosteiro. Isso no entanto, não me fazia feliz. Álcool era mais apropriado para eu me esquecer da política de auto-destruição inconsciente que eu encomendei há alguns dias atrás.

E mesmo assim, as coisas iam queimando ao nosso redor e eu assistia o par de valetes esvaírem-se em fogueiras frente aos possíveis e impossíveis desejos, liberais e liberados, eram desejos que nos consumiam. Era a sinceridade que nos consumia.

Deste parágrafo em diante eu só pensava em você. Verdadeiramente, em você. Por que só você correspondia às minhas tristes idealizações.

E doía. Doía tão rápido e intensamente quanto meus acasos, quanto meus casos, que eu costumeiramente ia chafurdando em minha lama emocional. Por isso me evitavam.

Mesmo sob as pupilas, a luz perspassava meus sonhos. Eu tinha grandes desafios, grandes desejos e grandes abismos por caminhar.

Abri a janela, por meras conveniências gramaticais; era um estilo próprio. Outra corrida e eu chegaria no alto das estrelas.

Amanhã sobreviverei como todos vocês, apesar do que, não há idade para morrer ou viver sob o céu ou o brilho de estrelas que cartesianamente já estão mortas.

domingo, 3 de junho de 2007

Dos seus Abismos Oceânicos

E eu fui só até o limite. Por que até o limite é uma coisa boa disse no primeiro dia. Antes de ultrapassá-lo eu consegui respirar forte. E estava na direção correta, rumo ao fim do oceano. Oceano de memórias, fragmentos. Eu nado em busca do horizonte , do horizonte de, da verdade. Mas o horizonte é infinito, infinito. Eu descubro após me cansar. O mar é azul, de longe parece verde. Parece estar verde.

Meu rosto está molhado de sol, de sal. Eu nado com o vermelho dos olhos, antes de pensar se voltar a superfície foi realmente uma boa idéia.

Eu sinto vontade de voltar ao fundo. Por que o fundo é reconfortante, apesar de desfocado e confuso como toda profundidade normalmente é.

A superfície não me encanta. São os oceanos, suas cavernas, sua escuridão, que me seduzem. Eu continuo a nadar, mais meus braços dóem. Vejo um barco contornar o horizonte. Eu grito. Agito braços, pernas, em vão. Está desfocado, longe da visão. As velas tem ligeiros traços amarelos, mas eu nunca saberei de verdade qual cor realmente é. Não importa. Eu observo sua trajetória, ele contorna o horizonte, o oceano e desaparece... Eu fico boiando. O sol tosta minha derme, não há mais esperança, apenas ilusão, algumas nuvens cobrem o astro-rei, rei do quê? Um rei sem súditos não é rei, é um vassalo corrupto.

Eu busco uma ilha. Mas não há nenhuma no horizonte. As nuvens cobrem o céu de piedade, e eu caço desenhos no alto, procuro padrões enquanto a noite não chega.

Eu me canso... As nuvens se enegrecem. A chuva cai. E com ela parte da superfície. A superfícia agita-se e eu resolvo deixar-me levar. Primeiro é a mente que decide. Os membros obedecem contraditóriamente a necessidade intríseca de sobreviver. É o instinto de conservação.

Eu bebo água salgada. Uma das mãos estica-se. O oceano vai me consumindo, me engolindo lentamente. A digestão é calma, tranquila. Eu afundo. A superfície torna-se cada vez mais distante. O sol desfoca-se pela lente da superfície, o sorriso é interno, a queda ao fundo, reconfortante. As trevas internas consomem-me, o fundo está mais próximo, o sol me dá adeus, as cavernas do desconhecido aguardam-me. Está mais escuro. Mais frio. E muito reconfortante...

segunda-feira, 5 de março de 2007

Da série: ficção e realidade

O método era científico. Consistia em apertar alguns parafusos emocionais, beber meia dúzia de cervejas e esperar que ela chegasse. Uma película amarelada, o ônibus cruzava a avenida Brasil, antes, porém, tudo fora muito mais real.

Domingo. Nunca imaginei que poderia ver ruas tão vazias. Ruas cariocas vazias. Tudo bem que da Lapa à cinelândia era apenas uma questão de puro pragmatismo, alguns passos fortes e eu podia ver a estação de metrô fechada; lembrei-me do consulado americano, das passeatas, e de mais alguma coisa que não me recordo. Apertei o passo, cruzei umas ruas até o largo da carioca, os prédios cinzas estavam bonitos, não havia ninguém; ninguém mesmo, além de uma cabine distante da polícia militar e o clássico ponteiro do relógio, histórico do largo da carioca. Senti-me um personagem vivo, de algum conto do ano passado, antes de entrar na rua da carioca. Passei em frente a um caixa eletrônico e as idéias insurrecionistas me acometeram de coragem, mas que cidade, que cidade, seguranças discretos, eram os olhares, e não estávamos ainda sob as asas do "grande irmão". Minha mente ocidental, repleta de vícios, e eu ainda estava galgando estágios, me descondicionando, quando eu olhei para o belo eclipse lunar da noite anterior. De tão simples, o caminho, o curso revelou-me minha própria natureza. Uma árvore no quintal me deu explicações bem melhores do que meus sete ou nove livros de psicologia em cima da estante.

Horas antes, eu passava no Museu de Arte moderna, no Flamengo, com um amigo meu, bons papos, apesar de curtos, não assisti os filmes neo-realistas, mas consegui voltar e olhar para aquela fonte de água, era o curso/caminho se revelando novamente, tão suscinto, sempre esteve aqui, e acolá, como se desejasse me surpreender. Eu tentei escrever durante toda semana, mas me senti vigiado, observado. A tecnologia eliminou toda privacidade. Tudo tem de ser compartilhado, vigiado. Talvez seja o momento de colocar o velho plano da reclusão em prática. Do desapego, da transitoriedade. Podendo entender o vazio, o cheio, esta independência se revela muito mais confortante. As respostas que eu não encontrei na ação, mas na não-ação. Um amigo para cada fase. Eu estou muito inclinado a tomar medidas radicais, mas sempre pensei no equilíbrio como uma forma polida de comunicar-me com o mundo e dizer "está tudo bem". É pura política no final das contas. Da última vez que senti sua presença, ela me encheu de medo. Eu escrevia, e ela me olhava no fundo do quarto(a parede da esquerda ainda não era verde). Eu pirei naquele dia.

Que me mandasse mensagens pelos sonhos; assim era assustador demais. Comecei a sentir medo, quando pensei na possibilidade de poder enjoar em transformar minha própria vida em letras, contos, letras. Os desastres não chegavam, e não dava a possibilidade de argumentar, embasar boa parte de toda a figuração dramática que eu tão bem encenava. Eu não conseguia mais compartilhar a indefinição com ninguém. O caminho tornou-se muito complexo, a ponto, de eu desistir sistemáticamente a me expor sempre que assim a vontade me toma. É um caminho inverso. A introversão virou extroversão e agora reclama sua natureza novamente, está voltando. Efeito bumerangue, em breve, terei de resolver todos os problemas internos completamente só, a estrada é uma preparação. É bom se preparar garoto. Quando Laura chegar, ela vai pedir o que lhe é devido. E é bom estar preparado. Você fala muito no passado, ouvi ela me dizer, chegarei nos seus sonhos, por que apesar de irreal, eu estou mais presente do que todas já estiveram. Você pode fazer sexo de olhos fechados e acender um cigarro num sábado a noite, mas saiba que quando eu lhe domino, nem seus dedos conseguem saber exatamente o caminho a tomar. Amanhã conversamos melhor.

Tá bem. Apesar de incompleto e prematuro. Estava tudo bem... tudo bem..