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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Fodendo o ano novo

Numa noite que não significava nada, e que nada tinha a dizer além dos personagens, coisas aconteciam e as estrelas nem por isso deixavam de se esconder.

A noite resolveu não citar nomes.

Uma mulher às quatro e cinquenta desgostosa do namorado, bêbada e patética por ter encontrado um homem não tão retangular como de costume, resolveu chamar sete gorilas amigos, que a carregaram, pagaram mais cervejas e levaram a desgostosa bêbada, e patética para o acalento do machismo, do namorado e dos próprios símios, desgostosos com eles próprios, mas profundamente acalentados pelo namorado traído.

Um namorado traído por si mesmo, que juntava uma bêbada não tão patética e sem álcool, fazendo serviço na Barata Ribeiro em Copacabana, e que ganhava a vida atraindo gorilas, apesar de acabar com a antropologia de boteco em noventa por cento dos casos quando era obrigada a foder com força aqueles homens tão machos, travestia-se e era assim sua vida, uma vida bandida.

Travestida, a andrógena linda e amorosa optava ou por novas regras gramaticais que lhe aplicassem gêneros simultâneos ou ainda assim, conseguia optar sóbria, por uma conversa racional e decente(!), onde os conselhos salvariam um macho, uma fêmea e um amontoado de polietileno, que inevitávelmente chocariam-se no meio da avenida Brasil caso a andrógena não intervisse junto com o destino.

Conselhos de bicha.

Um macho sensível, não tão macho por ser sensível, esbaldava-se numa boate fêmea quando ele sabia que aquele lugar travestia-se de macho; onde até as mulheres masculinizavam-se ignorando-se e ignorando umas as outras, e uns aos outros, onde o que valia realmente eram as relações de poder e não o sexo do sujeito ou sujeita envolvida e sujeitada.

O sadismo vinha com a comanda e podia ser pago à vista ou com sete cheques parcelados, desde que o gênero constasse no verso daquela cartolina mal ajambrada.

No final da noite, o macho sensível encontrara um cavalo, um cachorro e outras forças da natureza que acabaram lhe descrevendo a noite sem necessidades de descrever poesias infantis.

O mundo animal lhe bastava.

Andrógenos eram todos sob a cerveja masculina do poder.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Sombras fugazes de um corpo com memória.

Numa caixa um segredo, num segredo uma caixa.

Ele não conseguia escrever, mas num dia específico, tentou se matar às duas e dezenove em cima de um viaduto cinza e alto, e aí, aquele ser de asas apareceu.

As pernas balançavam naquele parapeito improvisado, era dezembro e o mundo estava triste, mas as pernas moviam-se felizes entre o abismo de concreto e o concreto abismo que havia, fazia, dançava e carregava dentro de si.

Ele cantava uma música solitáriamente; não havia coral e ele não estava bêbado. Estava feliz por ter se decidido. Mas o pior era a angústia. A felicidade da decisão superava seu podre resultado prático. Decidir livrava-o do peso do espelho perfeito do mundo.

A música não.

A música não escolhia, mesmo com os poucos acordes que lhe faziam suficiente; ela se fazia naquele lábio gelado de final de noite, ou por sob o concreto quente do parapeito. Talvez teria de se haver a tocar em algum táxi no canto mais desagradável da cidade.

O anjo ao contrário, se entristecera. Apagar o último cigarro levara-o à pura e simples melancolia e estagnação. Ajudar um infeliz no domingo à noite não era um trabalho de anjo, era um trabalho sujo, mal remunerado.

Fizeram um acordo. Ele não diria para ninguém que conversou durante quarenta e cinco minutos com um anjo imaginário; até por que não acreditariam, e o anjo, este pedaço de imaginário vivo, resolveria o problema sob o molho da modernidade, ou seja, enfatizaria o desperdício do tempo perdido.

No final do cigarro - enfatizou com uma voz grave de insônia e pigarro - , você pula!, ou desce essa porra de viaduto comigo!

Era um anjo com os culhões escaldados, na verdade se as minúcias e os pormenores afetivos permitissem, levaríamos a crer que era um anjo bem filho da puta: um anjo de segunda, ou terceira categoria. Um delicioso e desperdiçado gigolô cristão.

O primeiro que achar sua caixa, avisou o anjo com repreensão nos olhos, descobre o seu segredo e o caminho que leva a uma artéria complicada, que liga os fatos da vida ao coração. Portanto tenha cuidado.

Não deixe esta caixa em domínio de alguma mortal.

Qualquer um(a) que domine tal artéria, pode lhe colocar em maus lençóis. Transformar-lhe de corpo físico à memória, de parênteses à parágrafo. Não dê a caixa para ninguém, avisou o anjo.

Você não é um neurocirurgião, avisou.

Jezebel nunca tentou se matar, mas suas roupas e sua música preferida, seu comportamento cínico diziam, matava-a pouco a pouco, mesmo sem anjos e também assassinava seus amigos, que odiavam ver seus espelhos. Tinha um corpo esguio; magro. Preto eram seus cabelos e branca sua alma, alma que interessou de imediato o mesmo anjo sem asas que procurou-a com a mesma convicção e cinismo com que procurara o desperdiçado à beira do viaduto.

Jezebel mentia para si própria. Jezebel bebia gim, fumava erva, e namorava um conhaque nas terças-feiras. Jezebel conhecia o segredo dos outros mas não de si própria, permanecendo obscura conseguia preservar exatamente a artéria que ligava o coração a si própria.

O anjo, este ser mal remunerado e infeliz, reprovara-a; mas nesta noite estava completamente bêbado e sofria de um amor platônico mal resolvido. Anjos também sofrem. Amém.

Mais Jezebel sobrevivera, sobrevivera mesmo sofrendo uma peça pregada por deus, o todo poderoso. Sobrevivera a ponto de convencer o anjo à uma segunda conversa e este dizia, dizia, dizia, e falava, e exclamava com as mãos, algo que para ela, parecia-lhe natural e augusto.

A intocável artéria proporcionava-lhe voôs sem asa, ou na linguagem terrena, orgasmos simples, porres de cerveja, uma carreira de pó certificada pelo INMETRO e sim, aquele esbarrão pretensioso, no viaduto cinza, no babaca de preto, no idiota, o da caixa de segredos, que por um motivo ou outro insignificante, resolvera se matar próximo à Jezebel, e que por fim trazia-lhe algum sentido sobre o parapeito muito pretensioso.

E aí Jezebel, a ingênua degenerada, como assim lhe cabe a história, procurou em quarenta minutos a caixa de segredos. A caixa de segredos que estava em seu bolso, súbitamente revelada por um sorriso de canto de boca, não evitou o salto do artista, mas possibilitou que o anjo e ela, pudessem conversar sobre surrealismo e sofrimento durante grande parte da noite.

E assim entendiam da natureza humana. Jezebel, Anatole, Jezebel, Anatole. Anatole, Anatole.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O retorno para casa

Inicialmente era um ateu bem decidido, um ateísmo que não lhe incomodava e até resolvia comportar-se mal em festas de aniversário, somente as que mereciam verdadeiramente serem implodidas. E seriam reveladas ou com um discurso escatológico que ofendia metade da família, ou com alguma atitude desprezível jamais recordada.

Fora devido as seguidas ironias, ou melhor, situações limites, onde o ridículo se apresentava como realidade, que ele fizera-se suspeitar que deus sim existia. O canalha existia e costumava brincar de poesia. Esta reflexão profunda e importante, acompanhou-o durante uma dor no fígado que o fizera vomitar quatro vezes na segunda metade do mês de setembro: as contas estavam atrasadas e a lasanha infelizmente, encontrava-se poéticamente no forno, aquecida sob a diarréia metafórica.

Brincava como um anão de circo cuja metástase em algum dos membros inferiores ou superiores o levara a produzir um libido impotente e que fazia-se necessário, no choro acobertado pela mulher barbada ou pelo engolidor de espadas acusado de homofobia. Injusto.

Numa situação limite apresentava-se uma coincidência impossível, um azar imprestável no sábado a noite, ou algum objeto que caído produzia vida e machucados na sexta-feira; uma sexta fácil de ser vivida, mas que com a presença de deus, este grande inimigo, as facas, as colheres e até mesmo as lembranças escondiam o veneno: era a peste se manifestando imprevisívelmente.

Deus a peste, sob luzes vermelhas, uma peste presente, um corte na sola do pé, um ex-namorado endiabrado ou até mesmo um telefone que modificava e deformava todo o conjunto da obra.

Deus era o satã de gente fudida.

E eis a lona da vida: ridícula, mas adequada. Adequada ao medíocre que se estabelece sem dúvidas, e a si mesmo entoa o mantra de inúteis seiscentas repetições de promessas que jamais serão cumpridas.

Verificando empíricamente, temos neste exato momento quatrocentas e treze promessas não-cumpridas que alimentam cento e dezesseis proprietários de pequenos estabelecimentos operários e periféricos panegíricos cuja venda de álcool é assim, normal-normal.

O cinzeiro largado na quinta ou na sexta música, tornava-se óbviamente a parte cênica de seus pequenos desastres, ainda que lhe chutassem seus joelhos num dia de raiva. Mas também havia a música costumeiramente melancólica, as guimbas nas latas, a vodka pela metade, o sofá vinho, a cortina bege-limão e o calor, e a chuva, todas, apropriadamente ociosas.

Havia o ovo solitário da porta de geladeira, cujo diálogo com a cerveja produzia algum aspecto de solidão que refletia-se na pupila de Vasilli, o observador e colecionador de latas de cerveja e espectros de agonia, cujo ovo refletido na córnea direita, dava-lhe a impressão de ser mais poderoso que deus.

Mas isto acabava quando abria a geladeira e a si mesmo com força. E esbarrava em algum talher ou copo e produzia barulhos que incomodavam as memórias e os ouvidos ocultos e cultos de seus pais.

Deus ainda falava, decerto bêbado, cuja vontade resolvia compor cigarros na praça Tiradentes às duas da manhã, sem que ninguém ouvisse ou observasse aquele ser desprezado, tomar a carroça de deus, rumo ao olimpo.

O ateísmo voltava às quatro da manhã e sob seus ombros, responsabilidades, papéis, burocracia, e enviados de deus. A dor no fígado e a introspecção chegava às cinco e quarenta. O ônibus, com o guichê, a porta de supermercado e as leis do banco não aparecia antes do pôr do sol, que se afastava dele próprio às sete da manhã, já vencido pelos cigarros e por deus.

E foi assim, assim quase no princípio, que a estrutura social da civilização pareceu-lhe súbitamente, absurda; tremendamente absurda, pois deus, deus existia e resolvera existir, de uma hora para outra.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Namorada de final de ano

Às vezes, melhor seria
Se do fogão permitíssemos
Queimaduras

Que inconfortáveis
Estragam
Todo o poema

E eu, perdido na areia, no concreto
No paralelepípedo

Ou em volta de mim mesmo

Apenas pensasse
Como pensasse

Esquentando a água para o chá: Preciso de um horóscopo ou de uma namorada de final de ano!

Ambos, ou ambas, são particularmente imprevisíveis.

E mesmo assim. Seria melhor.
Se do fogão inconfortável; permitíssemos assim...

Algumas queimaduras.

domingo, 14 de setembro de 2008

Poesias secretas

Você sorri com a morte nos dentes
E ainda assim resolve enganar
Todos eles que distribuem saliva na mesa de centro

Eu não bebi a última cerveja
Mas você me encontrou com gemido nos olhos
Era parte do tecido
Um tecido ruim

Você pagava o pecado na mesa
E eu nunca, guardei nada para ninguém

Eu te amava
Te amava

Como um sorriso no fundo
Ou uma porca pintada de verde e vermelho

Eu te amei com gemido na mesa
Eu era erótico
Minha saliva nunca guardei para ninguém

Eu te amava
E os que distribuíam sorrisos na mesa
Ou no fundo da mesa...

Não guardavam o pecado
O pecado que eu vomitava
Vomitava, na mesa, entre os dentes

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

sábado, 14 de junho de 2008

Falta do que escrever

Bela idéia. Meus dedos não chegam. Não há concentração. Olho para cima, para as estrelas, me sento sozinho, eu respiro, bebo água.

E nem um conto, mas nem um conto, consigo acabar...

Gênio.

domingo, 25 de maio de 2008

Desenham outras possibilidades

Ainda que prefira meu quarto, do que o choro comovido, sinto o inerte, e apesar da cerveja meio quente provocada pela geladeira alquebrada, faço um bom negócio em passar um final de semana num cômodo grande, onde meu corpo ocupa receoso um / quarto de cômodo.

É quase manhã, mas meu quarto ainda respira a noite, isto por que, adoro beber cervejas que iluminam o dia, como vírgulas, as cervejas vão chegando, chegando e eu simplesmente não as pontuo, e é por mera vontade...

Odeio os pontos de interrogação. Adoro vírgulas; sempre me escapam, sempre conseguem e desenham outras possibilidades.

Gosto do inédito, mas o inédito está cada vez mais raro. E aí me ato ao visível, ou ao previsível, dependendo da quantidade de choro comovido ou de inerte cerveja.

É difícil me concentrar com vírgulas demasiadas.

E às vezes, eu penso, mas que merda ser e não ser escritor. E a fase criativa, está regada a cervejas, dar o dinheiro e correr, e a algo mais absurdo que todavia enfileirado com as regras métricas não consigo me lembrar.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Felicidades

No entorno do teu corpo
Jaz um pedaço de mim
...
Enluarado sob o cadafalso
Do meu(nosso) fracasso.

As memórias que não eram dele

Rafael sofria de um mal irreparável. Memórias que não eram dele. Não eram de ninguém na verdade, apesar de alguns indivíduos se apropriarem no entanto de algumas, no desenrolar dos fatos, elas surgiam, e eram sempre de sujeito indeterminado.

A questão, e era sim, esta a grande questão, que Rafael não sabia exatamente onde começavam suas memórias e onde terminavam suas ilusões. Ninguém sabe na verdade, mas no caso específico deste jornalista desocupado, havia um quê de patológico, que transformava sonhos, alentos aleatórios, imaginações em fatos, em verdade, em história.

Não era algo tão fácil, preocupar-se com o inesperado, com o não acontecido. E a fronteira entre o real e o imaginado, era para Rafael, tão tênue quanto a espuma de uma cerveja servida num dia quente. Não saber o que era real e o que era imaginado era um delicioso jogo de armar, mas Rafael sabia, que o real era tudo o que estava dentro de seu escopo, e o que estava em seu escopo, era o que ele sim criava; era um vocacionado niilista de profissão.

Treze cervejas, mas na verdade eram doze, isto não fazia importância, não para ele, este puto cacofônico, que repetia e perseguia paroxítonas como quem come vogais de ócio seguidas de hiatos de felicidade, mas acostumara-se a duvidar de suas memórias: quatro ou cinco páginas lidas? sete ou oito estruturas verbais? Amanda ou Mônica? Catete ou Flamengo? Pós-estruturalismo ou arquitetura neo-romântica?

Depois da chuva torrencial, compreendeu que deveria partir, e foi asim que avisou, acenou, para os que o acompanhavam, que deveria misturar-se a multidão, uma multidão de vozes que calava dentro de si, para depois então prosseguir, atravessando uma avenida de mão dupla, quase-atropelado, onde às quatro da manhã encontraria em sonhos, metade dos seus amigos ou reclamando daquele fato dormindo, ou sonhando com ápices sexuais muito mal reprimidos.

A verdade, e verdade era algo tão manipulável quanto uma massinha de modelar às cinco da manhã, era que as mentiras, ou diria em tom reprovável - respostas acomodadas que tornavam-se parte do real, e ele sempre fizera questão de separar, reprimir, o real do ideal, por que supostamente isto o faria mais concreto dentro do esfarelamento crônico da modernidade.

Vendo toda a questão por um lado Vassilliano, e este lado era a aresta mais individualista que ele pudera conceber, tudo tornava-se apenas um quebra-cabeças mal encaixado, onde o azedume do respeito concentrava-se isoladamente em um feiche mal feito de poesia: TODA PARTE INTRADUZÍVEL É ALGO QUE CLAMA POR UM GRITO. UM GRITO DE VIDA, DE DOR, DE ALGO QUE NÃO SE POSSA TRADUZIR COM CINCO OU SEIS CONTOS.

Não sabia muito bem o que era sonhado, o que era realizado, e odiava boa parte dos atendentes de telemarketing, quando, exatamente desdobrava-se e neste sentid0 esforçava-se para provar esta tese, começavam a utilizar gerúndios afetivos. Pois não existe o "estamos nos amando", existe o nos amamos!

Não é possível estabelecer pontes sinceras entre o ideal e o real conquanto se busque algo que continue a saber que pode não ser real: como daquela vez em que socou um desafeto, quando na verdade, estava dormindo às seis da manhã num ponto de ônibus mal-cheiroso.

A verdade era que estava cansado.

sábado, 15 de dezembro de 2007

De como eu pintei uma porca de barro e criei um totem de guerra

Hoje ruiva, eu consegui rasgar uma foto sua. Não imagine a cena, por que é geralmente mais patético do que você pode imaginar. Além disto, consegui(falhas de memória) encontrar soluções para todas as coisas que diretamente lembram você. Não eu não vou dinamitar ou dinamizar nada, muito menos queimar cartões-postais, fato é que preciso cada vez mais dormir até mais tarde. Estou de férias ruiva; foi difícil, eu sublimei tudo por você, digo, eu sublimei você por tudo, e deu certo. Cumpri todos os meus compromissos políticos e profissionais(como se houvessem compromissos que não são políticos e tomara que existam), me dei extremamente bem em todas as atividades intelectuais que me envolvi e até vejamos, consegui pintar a porca de barro de vermelho e preto. Estou realmente me organizando, coisa que você sempre achou impossível de ocorrer.

Paralelamente a isto, há dois fatos ocorrendo com maior ou menor amplitude ruiva. Na verdade são mais do que dois fatos, mas não conseguirei sistematizar nada(deixo isso para uma monografia estéril de gaveta de universidade) com cerveja preta nos córneos(usei esta palava nesta carta por que sei que ela causa invariávelmente uma sensação suja que remete às pornochanchadas da década de 70).

Minha porca está vestida para a guerra, de preto e vermelho, prepara-se como uma aborígene(eurocentrismo latente) para um confronto. E realmente ruiva, haverá um confronto, quer dizer, já está havendo ruiva, este combate se iniciou há algum tempo.
Primeiro que está chovendo há dois ou três dias consecutivamente(mas esta não é verdadeiramente a questão). Segundo, que há uma tentativa interior realmente fracionária, fracionada, de me monopolizar emocionalmente, e você faz parte de um dos complôs internos. Dominar-me furiosamente, eis a questão.

Acho que não estou tão triste como poderia estar(mais a frente você verá que isto não é verdade). Isto também passa por uma ligação intríseca com o Nato Ruiva, você sabe. Há um equilíbrio esquisito em toda a nossa trajetória, e eu tenho que me manter forte enquanto ele se ferra e vice-versa.

A outra parte realmente importante em toda esta conversa, é que na maioria das vezes a sobriedade atrapalha as convicções e as reflexões, mas é um fato a dizer, digamos que por consenso, que não consigo mais olhar para nenhuma mulher como olhava para você ruiva. E quando vejo uma ruiva em potencial, exponencialmente sou desprezado, por mim mesmo na maioria das vezes.

Para que você não ache que eu estou tornado toda a discussão uma questão boba de gênero, acho que o inverso também é verdadeiro, há muita gente boa querendo se encontrar, mas a vida, é a arte dos desencontros(isto aqui eu roubei do Fernando Sabino ruiva, mas é tão bom que não consegui evitar).

Pois bem ruiva, ruiva lembra rubro, lembra rojo(vermelho), lembra a cor que eu pintei minha porca de cerâmica, vermelho e negra. Vermelho paixão, preto mistério, soma de cores, e de humores. Lembra guerra. Guerra declarada, guerra interna. Uma batalha surda, silenciosa, que ninguém vê ruiva, é verdade, ninguém vê. Como eu disse anteriormente, fingir confiança dá confiança ao mundo, mesmo que o castelo interno de cartas esteja desmoronando é preciso não entupir as pessoas de problemas alheios para resolver(ser você mesmo já é um baita problema - imagine ser outras pessoas por pouco tempo).

Hoje eu pensei novamente em fazer algum tipo de terapia, pintar porcelanas não é suficiente, escrever, agir intelectualmente, tudo isto pode ser tão motivador, mas há uma lacuna não preenchida, que simplesmente não consegue, não consegue(lacunas na memória)...

Eu queria fugir logo ruiva. Voltar logo para o Uruguai. Talvez até a Argentina e quem sabe, Lima, quem sabe...

Pausa para o jazz(algo meio nervoso diga-se de passagem).

Zorrita. Este é o nome da porca ruiva, zorrita. Vingadora. Olho para a vingadora, pintada de vermelho e negra, camuflada entre a escuridão desse meu quarto pequeno, pequeno e espúrio, o que me causa a sensação de que talvez não conseguiria abandoná-lo sem recriar outro ambiente igualmente introspectivo(sem pagar 200 ou 300 paus por isso).

No fundo há um cd de jazz, não é tão glorioso escutar jazz com tanta regularidade mediante dias como este, mas ainda assim é excessivamente, geralmente, reconfortante. Talvez deveria fazer isso daqui a vinte ou trinta anos, mas não posso; para quem não acredita em muitos anos posteriores de vida, há de se fazer tudo o que sempre quis intensamente, o que me gusta ruiva, o que me gusta.

Morrer numa banheira com os pulsos cortados ou sumir pela américa central, tanto faz para uma vida de niilismo. Mas eu não sou um niilista ruiva, eu até brinco de niilista, como toda alma adolescente resolve brincar em finais de semana, mas eu não tenho vocação para isto, você sabe.

O grande dilema é saber o que se gosta. O que realmente é aprazível dentro desse joguete de morde-assopra.

Daqui a pouco ruiva, eu descerei para comprar algumas cervejas no posto de esquina, aquele 24h(já desci, voltei ruiva), em que todos parávamos como se celebrássemos algum solstício de verão(solstícios próximos do meu primeiro cumpleaños pós-ruiva), animados pela fúria juvenil armazenada. E eu me lembro de você ruiva, sorrindo tão liberta, com expressões, tão tão, extremo-orientais? E eu nunca fui tão longe ruiva, apesar de você assumir tantas formas, múltiplas formas, isto significa paixão, ou não significa amor, ou nada ruiva, nada destas linhas podem significar algo necessáriamente, além de catarse, catarse vergonhosa é verdade. Não acredite muito em mim ruiva. Não acredite. (me arrependerei provávelmente)

Eu posso morrer fazendo isso ruiva. Talvez isto seja uma síndrome do pânico prematura ou apenas uma intuição que quebra o efeito causal-linear da história, do tempo, e toda esta coisa jungiana que me invade em momentos de euforia.

Eu achei que esta carta seria boa ruiva, mas esta carta foi a mais medíocre de todas. Eu gostaria de expor esta carta como eu nunca fiz com todas as anteriores, gostaria de expor como um animal sacrificado num ritual aborígene(sem eurocentrismos) de deixá-la como um símbolo, como um totem de um momento particularmente interessante em todos os sentidos, pois sei realmente, e é a única coisa que eu sei, e que sinto, e a partir desta vírgula não estou mais me importando com os altruísmos, com as batalhas que eu assumo, que eu mesmo travei, anti-egocêntristas; voltando ao assunto principal, e é bom pontuar um foda-se neste momento, nesta parte, somente para lembrarmos de onde falamos(um cara arruinado e etceteras são falhas de memória!)

Chega de ruiva, chega da porra toda, chega dessa merda sem sentido. O fato caralho, e o caralho também é um falo, digo um fato, é que merda ruiva, merda, está difícil me sair como uma pessoa normal. Entenda normal, no melhor sentido. Eu digo, desejo, e desejo bastante ruiva, beber meia dúzia de cervejas dentro de um bar vazio, eu desejo, ruiva, dançar despreocupado sem a opressão, e isto vai ficando mais claro para mim ruiva, a opressão de não conseguir filtrar, isto cega demasiadamente.

Ruiva eu preciso de uma boa dose de normalidade. Sem músicas tristes, sem religiões. Não quero me religar a nada ruiva. Não quero me religar a nada. Quero me desligar de um monte de coisa. Dividir pesos. Dividir problemas, conversar, rir de verdade ruiva. Rir de verdade. Eu não quero mais sentir aquele medo ruiva, aquele peso, aquela dificuldade de respirar em lugares muito cheios.

Rir e sofrer sozinho já perdeu a graça.

Eu quero você de volta. Querer é necessitar? Talvez seja ruiva. Talvez stirner esteja certo.

Talvez.

Goethe é mais fatalista é verdade, Stirner e Nietzsche muito mais orgulhosos. Eu? Eu me enquadro no time do meio. Meio orgulhoso, meio fatalista. Mas acho que em todos estes estereótiois, há o vício em questão, o vício, seja objeto, seja sujeito, estamos todos dentro do furacão. Do furacão-deus ruiva.

Resumindo a porra toda, sem eufemismos poéticos ruiva.

Tive vontade de me contar(era me cortar, mas o tal infinito em sua sabedoria transladou apropriadamente), de me matar em parcelas, por que matar-se de uma vez só exige coragem, coragem que eu não tenho, tive vontade de me queimar ruiva(falhas de memória), de encarar um panzer, de explodir um fascista, de voltar no tempo e matar fascistas, de explodir pontes alemãs em meio à resistência francesa, resistência espanhola, e tentar quem sabe, quem sabe, dar sentido a uma vida, mesmo ideológicamente interessante, mas monótona, monótona, pois é a era das depressões, espirituais, e morais.

Chega ruiva... chega... de aniversário(cumpleaños) eu quero lâminas de barbear de presente. Só para lembrar que apesar do pessimismo, da contradição inerente, que me faz agir, mover-me, enfrentar as engrenagens mórbidas do poder, eu nunca vou desistir, mesmo com as ferramentas erradas na mão.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Depois de um testemunho surgiu-me a inspiração

Eu sou um bruxo. É verdade. Um bruxo. Chamem o bruxo, me de bruxo - falaram uma vez. Não há motivos em me chamar quando não posso voar. Voarei por cima dos sonhos alheios. Voarei por cima da ruiva, do ruivo, do francês, do não francês. Pegarei o metrô em paris. Mas isto é um sonho. Paris, e a Torre Eiffel e um idiota de camisa verde colocando moedas num telescópio fazem parte de um sonho. É bruxaria. Queimem os bruxos! É bruxaria.

Fazer planos(correr, fugir).

síndrome do pânico [muita gente].

Momentos em euforia[pouca gente].

Além
disso.

Há carência. Carentes, em filas, exterminados sistemáticamente de forma industrial. Na verdade. Os exterminados são os exterminadores, licença poética a parte. À parte. Por que aos fascistas nem água! Nem água! Exterminadores são exterminados. Exterminam-se. Matam parte de si. Matam-se inteiros. Matam a parte humana da humanidade; e isto dolorosamente não é redundante. Hiroshima e alguns dias depois, e serão nestes dias que teremos esta prova, provarão, redundarão neologismos, e teorias em pseuo-poemas.

Con
Cre
Ta
Men
TE

Mente! Mente!

Mente poema! Tu mente! Usted! Mentes!

Menta. Menta planta-se. Ouviu? Planta-se.

Planta-se como sonhos, sementes oníricas, que percorrem cervejas sem álcool. Faltam poucos dias para acabar o tal ano velho.

Faltam poucos dias, poucas horas que parecem eternidades.

Esta terça não importa. estarei num lugar espiritual.

Pois é tudo meio de esquerda, meio farsante.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Das vezes em que se meteu com cerveja preta

- Anatole...

- Diga, Vasilli.

- Deixarei meu cabelo crescer...

- E o que tem isso de importância? O que tem, isto de importância perante esta lua. Esta lua linda.

- Nada porra. Reflete apenas falta de compromisso Nato.

- Com o quê Vasilli?

- Com a vida Anatole. Com a porra da vida!

(chega de travessões)

Olha pra praia soltou o russo. Olha pro céu, pro horizonte, e pra lua. Ah! Pra lua você já olhou. Seu cínico! Olhaste pra lua antes de me convencer de alguma coisa. Golpe baixo Nato.

Golpe muito baixo,(expulsou Vasilli) antes de tragar a longneck, ou grande-nariz perante uma tradução chula que insistia em manter; na verdade nunca tinha pensado no longo nariz... longo nariz....

Nato, em algum lugar do inferno há Eric Clapton e Velvet Underground tocando...

Tem o Buckley Vasilli. Deixa de ser anti-intelectual. Tem a porra do Buckley. Tem o Ian Curtis, tem o pop do Cobain tentando convencer a quadrilha de seatle a escutar o Thom Yorke... Tem tudo Vasili. É a igreja do diabo. Escutaremos os anos 90 como se fosse woodstock Vasilli, seremos os mártires do fodase, seremos os provos, a bicicleta branca, a contra-cultura renovada.

Deixaremos de ser os irmão do meio.

É verdade Nato, resmungou Vasilli antes de virar meia long-neck, meio nariz, longo nariz, completo nariz de cerveja; sujo de espuma.

E cerveja preta, pensou Vasilli, cadê a porra da cerveja preta??

Está caída, pensou Nato, pensou também Anatole. Mas não se comunicaram. Não conscientemente. Mas estava lá. O diálogo existia inconscientemente, mas nunca saberiam. A ciência nunca saberia.

Subjetivismos não fazem parte do ocidente, nem da ciência, nem de vagões de metrô ou jogos de futebol.

- Nato, ontem tive sonhos realmente impressionantes.

- Entrava num bunker. Escadas. Lembro-me do cartão. Das pessoas correndo. Lembro-me da bicicleta no pântano, de combates pseudo-medievais, lembro me do céu nato, do céu, virando noite muito rápido(as expressões corporais de Vasilli segundo Anatole pareciam muito, muito infantis), me lembro de me esconder atrás de muros de pedras, muros de pedras frágeis, frágeis como minhas repetições, frágeis como o meu eu Vasilli(e bateu no peito como king kong, o que tornou a cena mais patética do que já era).

- E como você se sentiu(Vasilli aprendera pseudo-psicologia no Discovery Channel)?

- Bem gringo. Até escutei aquela bossinha que você me passou.

- Tá. Tá Vasilli(Anatole começara a ficar realmente bêbado).

- Nato...

- Diga Vasilli vazio....

- Deixarei meu cabelo crescer.

- Fútil... Futilidade (em tom de desdenho).

- Em tom de desdenho Vasilli. Deshhhdenho...

- Tá bem. Chama a ruiva, grita ela, que eu não tô em condições. Grita ela Nato, grita ela que nós vamos juntos pra casa.

Acabara o álcool de Anatole. Precisava resgatar Vasilli. Precisava. Ele está no fundo.... Não há mais chance. Ele chegou ao fundo. É hora de resgatá-lo. Há imagens demasiadas.

O russo enlouqueceu, particularmente.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Fingir Estabilidade

Estava aqui jogado, enquanto ela me buscou. Tudo a lembrava. E o fato de eu não usar "maldita" após o último verbo já indicava uma esperança, uma esperança crônica que me consumia, que me consumia com os cabelos amarelos cheios de tinta. E eu prometi, prometi a mim mesmo que deixaria meus cabelos crescerem junto com meu orgulho e minha resistência ao fracasso, somente para observar o retorno de algo que já tinha terminado no verão do ano passado.

Com cabelos amarelos ou não, com não-ditos, ou com misericórdias embaladas para finais de semana, eu me esforçaria para não tornar tudo mais patético do que já era.

Desperdicei. Matei metade da minha vida procurando e esperando. Foram vinte nove anos esperando você ruiva. Foram vinte e nove anos, esperando algo, ou alguém, que não conseguisse terminar com metade do meu tédio, metade do meu tédio repetido ruiva, como seus cabelos vermelhos repetidos, sorrindo, como você sorrindo, e bailando bêbada, perdida, um tanto quanto suicida, um tanto quanto irresponsável, enquanto eu me dirigia, me dirigia por palavras repetidas, e preciso repetir quantas vezes for necessário para que você entenda, para que você entenda, que há um pedaço de caos, de liberdade ruiva. De cabelos vermelhos dentro de mim.

Do caos, da espuma, e do pó, surgiram atores, surgiram alter-egos, surgiram frases. Surgiram pedaços de coisas, de emoções esquartejadas, de falsos riscos, enquanto eu via você bailar.

No censo da perfeição, você ocupa o primeiro lugar, o primeiro lugar, antes que eu conseguisse olhar em seus olhos, olhos amendoados que exalavam desculpas. Enquanto isso, naquele dia, perto do aquário artificial, perto do aquário à luz do dia eu fingia estabilidade. Eu fingia certezas. Quando na verdade, exalava dúvida. Quando no entanto, exportava insegurança.

Não haverá fim. Por que exatamente, não há fim em crônicas ruins.

Em crônicas ruins, só se pode exigir sinceridade, dor, e algo parcelado emocionalmente entre tudo isto.

Entre tudo isto. Repeti, repetimos, enquanto eu sonhava com bicicletas. Bicicletas repetitivas ruiva. Repetitivas.


domingo, 19 de agosto de 2007

Flores

flores, quietas demais
para serem flores
rasas demais para terem cores
poetisas demais para sentirem dores

sexta-feira, 15 de junho de 2007

O Desabafo de Anatole

..
A RUIVA EXISTE CARALHO!!!!

Ela existe!!!!

Hahahahahaassahahahaa..

Bêbado, vodka, nada.

Amanhã ruiva talvez eu lhe veja. Talvez. Eu não gosto de lhe ver sempre. Nem gosto de escrever isso aqui e muito menos poucos gostam de ler esta porcaria. O fato é que no mundo dos normais. pouca coisa foge da rotina. Há a vodka. Hoje eu bebi muita vodka e pensei em me afastar de muita coisa. Por que quando eu tento dormir eu sinto dificuldade de me entregar aos sonhos. Eu me sinto um merda quando eu choro por você, por que há muitos racionais gritando aleluia por aí. E não há nada muito novo. Por que eu só escrevo sobre você e as pessoas que lêem isso aqui, no caso eu e minha multidão de vozes mais um algoritmo que soma mais 1 no final da linha estão realmente entediados com tanta falta de criatividade. Os poetas são fingidores. Eu não sou poeta e muito menos fingidor. Querem criatividade? Contratem publicitários. Por aqui só há um ócio criminoso reclamando fama.

Eu me programava antigamente. Agora eu me sigo pelos instintos. Está difícil permanecer como uma linha constante se eu nem consigo pensar direito sobre tudo isto. Estou me adaptando. Em um processo de adaptação desprezívelmente anti-poético.

Há um eletromagnetismo nisto tudo e uma lua pedindo por permanência. Não há como colocar colheres em equilíbrio nisto tudo. O que era novo agora espalha-se pútridamente pelo chão, pela terra. É um adubo novo. Um adubo novo. Parte do meu coração fechou-se como adubo.

Tudo é meio jargão. O sofrimento é algo tão comum, que já semeou metade deste latifúndio. Nem saberemos quem está realmente falando a verdade. É patético demais. Você sabe disto.

Não precisa provar o que sente. Só deslize e queime alguns ícones vez ou outra; chegamos então no final da totalidade.

Totalidade eu usei para lhe impressionar. Brincadeira. Não há uso. Apenas problemas mal resolvidos. Eu te amo. Quantas garrafas de vodka terei de beber para convencer este duende que corre em frente a mim?

A vodka é uma invenção russa. Ainda bem que você não é. Você é alemã. Consulados malditos.

Há metade de mim espalhado pelo quarto. Não dói tanto quanto aparenta doer. Mas faz todo o teatro parecer mais viral do que realmente é. Há parte do meu coração espalhado no que escrevi. Poucos ligam. Dinâmica homo-sapiens. Pedir esmolas emocionais é contrário tudo o que eu acredito. E eu finjo sentir que isto é em suma, verdade.


Não há sentido. Apenas partes espalhadas como disse anteriormente.

Prefiro acabar ruiva.

Mas por favor: fale isso para meu coração.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Da grande porca que sobrevivera

Todos os porcos são iguais. Mais há porcos mais iguais que os outros.

Entendeu?

Gritou; estava bêbado.

Jogara as chaves por cima da mesa, uma mesa de madeira patéticamente solitária, uma madeira de baixa qualidade, em cima apenas a porca, um cinzeiro cheio de guimbas e um bloco de papel com rascunhos quaisquer. A porca estava parcialmente manca, fruto de um derrubão que lhe arrancara parte da pata esquerda. Culpa da maldita cuba libre. Gritou um merda tão vivaz, que assustou o gato que resolvera circular toda semana passada pelo apartamento.

Ainda tateara alguns segundos para apagar o interruptor e acender o abajour de centro que comprara na feira de antiguidade aos sábados da Praça XV e não-se-sabe o porquê mas o vendedor resolveu limpar os dentes enquanto resolvia convencê-lo de que o valor do abajour era justo a princípio, coisa que de fato convenceu-o com um virar de costas teatral que definiu toda a futura barganha.

Pensou o quão classe média era. Estava dominado, recheado dos trejeitos e sonhos típicamente pequeno-burgueses que tanto fazia questão de rejeitar, ou diria projetar... projetar...

Sentou com a garrafa de cerveja próxima a cadeira, olhou para a porca, a admirou antes de encher o copo e tragar a espuma, a cerveja e parte das decepções. Botou a porca olhando para a parede oposta a da janela e pensou que escrever contos pequeno-burgueses era uma sina sua. Jamais conseguiria escrever contos que lhe trariam realmente um pouco de dignidade, por que era necessário um tom de sobriedade que não obtia durante os dias de semana quando resolvia confrontar-se com si próprio. Não era um Máximo Górki muito menos um Lima Barreto, era um arremedo de Kafka com umas pitadas repetitivas de um Badeulaire de quinta-categoria.

Nesses dias, era apenas emoção e fundos falsos. Parava para recolher pedaços durante seus introspectivos quartos vazios. Vazios de si próprio.

Pegou a porca novamente, alisou-a como uma lâmpada mágica, como um objeto parado poderia lhe dizer tanto? Como?

E dizia. Dizia sem abrir lábios que nem tinha. Dizia com as lembranças, com o simbólico, com o imaginário não-lido, com a falsa impressão dos sorrisos, com os encontros e desencontros dos dias finais da semana; dizia tanto que faltava chorar. Mas ela não tinha olhos, nem pupilas, apenas buracos em paredes de barro. Quando olhava para a porca lembrava dos mesmos olhares brilhantes que o castigavam com a indiferença. A indiferença, o desprezo é o oposto do amor, não o ódio. O ódio é parceiro. Falara isso numa situação esdrúxula é verdade, chovia, e era o dia dos conselhos errados. Conselhos errados era a data que quatro campeões se reuníam para construir uma meta-filosofia da desgraça. Era engraçado. Um axioma antigo que o reconfortava.

Pois sempre precisava falar, falar entre algumas mesas de bar era fundamental para ver se conseguia exorcizar a porca, o passado, o símbolo e o diabo a quatro! Mas não era tão fácil.

Não era tão fácil por que quando acordava tinha a porca para lembrar da ruiva, da maldita ruiva e quando dormia, os sonhos se encarregavam de mostrá-lo o quanto podia ser cruel essa tal de memória. Evitar não é o remédio. Confrontar é a solução. Não é um tratamento homeopático, mas mesmo assim é algo corajoso a se fazer.

A temática não era lá essas coisas. Mas isso resolveria nos próximos meses.

sábado, 24 de março de 2007

Bêbados

Ao estar bêbado, somos poéticos. Então, lembrarei de Vasilli e de Laura, ainda ruiva de metáforas e envergonhada por não saber qual ônibus tomar nestas noites tão perfeitamentes meio-totalmente outonos.

Carpe diem e Bis Bald meus caros.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

De quando ele escreveu bêbado

Não há resistência, há resistentes; como problemas ignóbeis, problemas. Cervejas estragadas. Cervejas sem ritmo, sem vida. E eu posso talvez, lembrar-me das mesóclises, das tentativas vãs. das tentativas gramáticas. das esgrogues possibilidades dso protozoários literários. Das ist.

É isto Vasilli vazio. Mas eu sou um crepe. Eu sou um crepe. E que inferno estou fazendo aqui. Eu não quero estar durante muito tempo aqui.

E talvez. E durante um talvez perfeito. Um perfeito, tchau, uma onomatopéia espúria, eu consiga dizer duas palavras com sentido. duas. Apesar de preferir o nove. Nove razões. Nove metáforas.

Duas. Eu chutei. Escolhi. Escolhi. E não me culpem por isso. Eu queria gritar "a projeção do meu pavor apareceu" como meu grande amigo, mas eu faço alguns barulhos e isso é bom. Grandes crises.

Uma doença perfeita. Perfeita.

Desculpe-me; é tudo pra você. Negros cabelos. É tudo para você. Saboreie. Não importa o depois. Sei que fracassei e não fui tão possívelmente sincero; perdi, admito. E é você que verá isto.

Talvez não entenda. E talvez continue não entender. A escolha é sua não minha. Eu já perdi. Eu me fudi com o Anatole e o Vasilli. Eu perdi toda graça. Eu fui ao nirvana sem buda.

Não ache que são lágrimas. São lágrimas.

A verdade só vem com o tempo e com a sinceridade. Sei que errei(e ainda posso errar) e todo ser humano erra, você acha que não é você, mais é. Acha que eu sou algo que eu não fui. Sintético. Garoto sintético. Não sou. Melhor do que isto, só nesta prática sem nobreza da vida.

Te espero. Apesar do que, acho que não olharás mais pra mim. Desejo-te um momento. Olho no olho e te dizer o que penso. Contudo sei que pensarás ser uma armadilha.

Não tenho vocação para maquiavel.

Laura e você são muito parecidas.