Nestas fronteiras, nossa fome não cabe
Linhas que inventaram, para manter
Nossos corações e corpos calados
O capitalismo é contra o amor
Ele odeia a felicidade
Encurtadas as distâncias, derrubadas as barreiras
Destruídos os feudos da urbe,
Urbe cinza de prazer castrado
Eu te saciaria
Tu viraria água
Eu sede
O capitalismo pois bem
Este monstro insensível
É contra o amor
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quarta-feira, 1 de abril de 2009
terça-feira, 24 de março de 2009
Apartado
Por que a cama vazia
Ainda possui um corpo
E um coração de lados opostos?
Por que o café da manhã
Traz açúcar e cordialidade
E a noite um metrô cheio?
Perguntaram-me como estou?
Ou ratificam à si mesmos,
Seus humores, e suas respostas?
Ainda possui um corpo
E um coração de lados opostos?
Por que o café da manhã
Traz açúcar e cordialidade
E a noite um metrô cheio?
Perguntaram-me como estou?
Ou ratificam à si mesmos,
Seus humores, e suas respostas?
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sábado, 21 de março de 2009
22:18
Por que dez e dezessete e um relógio cego
Não calam o vento da rua?
E os bebês que não se olham
Vivem juntos ou brincam
Num aquário?
E o poema que não rima
Namora atenienses ou xinga espartanos?
Não calam o vento da rua?
E os bebês que não se olham
Vivem juntos ou brincam
Num aquário?
E o poema que não rima
Namora atenienses ou xinga espartanos?
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Invadiram-te, e também a inglaterra
Este canteiro que é da rua
Mata o circo ou o carnaval?
As coisas que não se encontram
Vivem juntas ou desenham só
Os corações?
Os jutos que falam com velas
E as gavetas que nunca oram?
São atéias ou são alheias?
Mata o circo ou o carnaval?
As coisas que não se encontram
Vivem juntas ou desenham só
Os corações?
Os jutos que falam com velas
E as gavetas que nunca oram?
São atéias ou são alheias?
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Diálogo de Iguais
É como se o verniz, que há tanto tempo, que usei para me proteger do mundo estivesse saindo aos poucos e que somente nesse momento, pudesse me ver e rever o que fiz.
E desprotegido, perdesse todo dia, um pedaço de mim, cujo revés, me prostrasse entre uma cama de motel vazia ou um café no centro da cidade com pouco açúcar.
Feito em parceria com Rosa
E desprotegido, perdesse todo dia, um pedaço de mim, cujo revés, me prostrasse entre uma cama de motel vazia ou um café no centro da cidade com pouco açúcar.
Feito em parceria com Rosa
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terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Sozinho
Meu quarto e meu corpo são uma festa.
Imagine eu inteiro!
Imagine eu inteiro!
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domingo, 16 de novembro de 2008
O poeta só nasce na mentira ou na vergonha
E seria sempre mais fácil dizer os motivos.
Falar claro e límpidamente, como alguém, que resolvesse não ter a sociedade por perto.
Falar claro e límpidamente, como alguém, que resolvesse não ter a sociedade por perto.
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quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Namorada de final de ano
Às vezes, melhor seria
Se do fogão permitíssemos
Queimaduras
Que inconfortáveis
Estragam
Todo o poema
E eu, perdido na areia, no concreto
No paralelepípedo
Ou em volta de mim mesmo
Apenas pensasse
Como pensasse
Esquentando a água para o chá: Preciso de um horóscopo ou de uma namorada de final de ano!
Ambos, ou ambas, são particularmente imprevisíveis.
E mesmo assim. Seria melhor.
Se do fogão inconfortável; permitíssemos assim...
Algumas queimaduras.
Se do fogão permitíssemos
Queimaduras
Que inconfortáveis
Estragam
Todo o poema
E eu, perdido na areia, no concreto
No paralelepípedo
Ou em volta de mim mesmo
Apenas pensasse
Como pensasse
Esquentando a água para o chá: Preciso de um horóscopo ou de uma namorada de final de ano!
Ambos, ou ambas, são particularmente imprevisíveis.
E mesmo assim. Seria melhor.
Se do fogão inconfortável; permitíssemos assim...
Algumas queimaduras.
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Morro vivo mas não vivo morto
Sou feliz. Sou triste.
Do tamanho que esta estrutura assim me permite.
E como a natureza e o mar, mato-me e renasço no coito cotidiano da vida.
Assim, do tamanho que a minha liberdade me permite.
Permito-me assim, a dizer, a gritar, a gozar: mudem as estruturas, mudem as liberdades; permitam-se o mundo.
Do tamanho que esta estrutura assim me permite.
E como a natureza e o mar, mato-me e renasço no coito cotidiano da vida.
Assim, do tamanho que a minha liberdade me permite.
Permito-me assim, a dizer, a gritar, a gozar: mudem as estruturas, mudem as liberdades; permitam-se o mundo.
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Para Florbela Espanca
Quando o poema
E o poeta
Vivem mútuamente para si.
Todo o mundo
Despedaçado de ambos
Resolvem conspirar
À favor do poema
Não do poeta
Gênio sem brilho
Cunhado por um
Sujeitinho,
Gente comum.
O poema aguarda
Que a flor triste
Do fingido, resolva
Dar vida ao poema
E quando morre o poema
O sujeito aguarda
E às vezes aguarda
Novamente
Mas quando morre o sujeito,
Em favor do poema
O poema e o mundo fingido
De gente comum
Despedaçado de ambos
Elevam o poeta à gênio
obs: em homenagem a Florbela Espanca, é óbvio.
E o poeta
Vivem mútuamente para si.
Todo o mundo
Despedaçado de ambos
Resolvem conspirar
À favor do poema
Não do poeta
Gênio sem brilho
Cunhado por um
Sujeitinho,
Gente comum.
O poema aguarda
Que a flor triste
Do fingido, resolva
Dar vida ao poema
E quando morre o poema
O sujeito aguarda
E às vezes aguarda
Novamente
Mas quando morre o sujeito,
Em favor do poema
O poema e o mundo fingido
De gente comum
Despedaçado de ambos
Elevam o poeta à gênio
obs: em homenagem a Florbela Espanca, é óbvio.
Poesia Húngara: SANDOR CSOÓRI
Um de meus habituais e talvez non-sense hobbies é tentar conhecer poesia das mais distintas regiões do globo. Quanto mais culturalmente distante no sentido em que me permite meu limitado regionalismo latino-americano, melhor.
Inauguro esta seção, com o poeta húngaro Sandor Csoóri. A poesia realmente não tem fronteiras, mesmo as mais distantes. A tradução deve ser algo complicado... diga-se de passagem.
Inauguro esta seção, com o poeta húngaro Sandor Csoóri. A poesia realmente não tem fronteiras, mesmo as mais distantes. A tradução deve ser algo complicado... diga-se de passagem.
MEMÓRIA DA NEVE
Às vezes o Inverno muda de parecer
e começa a nevar,
neva espessamente, em desespero, como se temesse
não viver até o dia de amanhã.
Nestes casos é melhor desligar o telefone, a campaínha da porta,
pôr vinho a ferver em cima do fogão,
folhear cartas antigas
e olhar para trás, também, para a minha vida,
como se ela não tivesse acontecido.
Como se não me tivesse olhado o canhão, nem olhos lascivos,
como mão surradas, não se tivessem alongado pela minha mão;
e tudo que fosse política, amor, dobre de sinos,
me esperasse de novo num horizonte de oceano.
Nestes casos o melhor é imaginar
que ainda posso chorar pela minha cabeça perdida,
o vento atrai os lilases para cima
de camas, meios-corpos e almofadas desgrenhadas,
e no juízo final terrestre
posso estar de pé ao lado de bons companheiros
em camisa macia e casaco leve
além de fumo, tascas, cemitérios,
fixando o olhar nos olhos dum país a perverter-se
sublimemente,
na minha cabeça há memória de neve,
neve, neve como se o reboco duma catedral
tombasse silenciosamente.
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quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Compro Ouro
Detestava receber papéis na rua
Mas deus
Sempre lhe anunciava
Alguns puteiros
Mas deus
Sempre lhe anunciava
Alguns puteiros
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sábado, 18 de outubro de 2008
Entre uma origem e um desejo
Não é o que parece
Pois se parecesse
Seria coisa do coração
E o coração
O coração só mente
Não é tão ruim
Ruim quanto transparece
Nem tão inédito
Pois se inédito fosse
O coração alquebrado
Diria que é mentira
Pois sim, seria mentira
Se o vidro quebrado
E o grito no escuro
Fizessem um silêncio arrastado
Parte dos muros, dos finais de semana
E dos corações
Assemelhariam-se à coisa qualquer
A algo já meio despedaçado
Estou entre uma origem e um desejo!
Sou um muro de final de semana
Sou tão ruim quanto posso transparecer
Sou um silêncio arrastado
Arrastado e se assemelhando a uma mentira
Não sou o que pareço
Pois o coração
O coração! Só mente!
Pois se parecesse
Seria coisa do coração
E o coração
O coração só mente
Não é tão ruim
Ruim quanto transparece
Nem tão inédito
Pois se inédito fosse
O coração alquebrado
Diria que é mentira
Pois sim, seria mentira
Se o vidro quebrado
E o grito no escuro
Fizessem um silêncio arrastado
Parte dos muros, dos finais de semana
E dos corações
Assemelhariam-se à coisa qualquer
A algo já meio despedaçado
Estou entre uma origem e um desejo!
Sou um muro de final de semana
Sou tão ruim quanto posso transparecer
Sou um silêncio arrastado
Arrastado e se assemelhando a uma mentira
Não sou o que pareço
Pois o coração
O coração! Só mente!
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quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Aviso ao leitor
Escreve
Escreve como eu
Mas não te compara a mim
Sacrilégio seria
Se tu, em tua infinita
E infinita percepção
De mundo e de ti mesmo
Se comparasse a outrém
Um qualquer medíocre
Que só enxerga como si
O mundo ao seu redor
Por isso
Caro leitor
Nunca
Ouça-me bem
Jamais
Te compara a mim
Ou outro outrém
Ao ser tu
Digno de si mesmo
Deixa-me encantado
E me ensina aprendendo
À ser tu
Nas tuas angústias
Só tuas
Onde cada tortuosidade
E cada autor
Sempre precisarão
De outro outrém
De outro
Não tão próximo
E que
Por se afastarem tanto...
Acabam se encontrando
No recôncavo macio
Da dor
E por isto
Se merecem
E se lêem...
Uns aos outros!
Escreve como eu
Mas não te compara a mim
Sacrilégio seria
Se tu, em tua infinita
E infinita percepção
De mundo e de ti mesmo
Se comparasse a outrém
Um qualquer medíocre
Que só enxerga como si
O mundo ao seu redor
Por isso
Caro leitor
Nunca
Ouça-me bem
Jamais
Te compara a mim
Ou outro outrém
Ao ser tu
Digno de si mesmo
Deixa-me encantado
E me ensina aprendendo
À ser tu
Nas tuas angústias
Só tuas
Onde cada tortuosidade
E cada autor
Sempre precisarão
De outro outrém
De outro
Não tão próximo
E que
Por se afastarem tanto...
Acabam se encontrando
No recôncavo macio
Da dor
E por isto
Se merecem
E se lêem...
Uns aos outros!
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Minhas Dores / Tinhas Dores
Minhas Dores
Minha dor não cabe numa terapia
Se coubesse, não seria minha dor
Mas sim, uma dor alheia
E por ser alheia...
Não seria mais minha dor
Mais uma dor que seria outra
Por conseguinte
Uma dor sem importância
Uma dor frívola como um céu arrebatado!
Como todas as outras dores
E portanto mínima
Aos olhos de minhas dores
Ou de elucubrações de final de semana
Que apesar de não terem olhos
Olhos no céu!
Seriam fatídicamente!
Como uma dor de outono!
Tinhas Dores
Minha dor não cabe numa merda de terapia
Se coubesse, não seria uma filha da puta-dor
Mas sim, uma porra de dor alheia
E por ser caralho, alheio...
Não seria mais minha buceta de dor
Mais uma dor que puta que pariu, seria outra
Por conseguinte
Uma dor sem importância
Uma dor frívola como um cú arreganhado!
Como todas as outras dores
E portanto mínima
Aos olhos de minhas dores
Ou de menstruações de final de semana
Que apesar de não terem olhos
Olhos no cú!
Seria fatídicamente!
Uma dor de corno!!!
Minha dor não cabe numa terapia
Se coubesse, não seria minha dor
Mas sim, uma dor alheia
E por ser alheia...
Não seria mais minha dor
Mais uma dor que seria outra
Por conseguinte
Uma dor sem importância
Uma dor frívola como um céu arrebatado!
Como todas as outras dores
E portanto mínima
Aos olhos de minhas dores
Ou de elucubrações de final de semana
Que apesar de não terem olhos
Olhos no céu!
Seriam fatídicamente!
Como uma dor de outono!
Tinhas Dores
Minha dor não cabe numa merda de terapia
Se coubesse, não seria uma filha da puta-dor
Mas sim, uma porra de dor alheia
E por ser caralho, alheio...
Não seria mais minha buceta de dor
Mais uma dor que puta que pariu, seria outra
Por conseguinte
Uma dor sem importância
Uma dor frívola como um cú arreganhado!
Como todas as outras dores
E portanto mínima
Aos olhos de minhas dores
Ou de menstruações de final de semana
Que apesar de não terem olhos
Olhos no cú!
Seria fatídicamente!
Uma dor de corno!!!
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domingo, 14 de setembro de 2008
Poesias secretas
Você sorri com a morte nos dentes
E ainda assim resolve enganar
Todos eles que distribuem saliva na mesa de centro
Eu não bebi a última cerveja
Mas você me encontrou com gemido nos olhos
Era parte do tecido
Um tecido ruim
Você pagava o pecado na mesa
E eu nunca, guardei nada para ninguém
Eu te amava
Te amava
Como um sorriso no fundo
Ou uma porca pintada de verde e vermelho
Eu te amei com gemido na mesa
Eu era erótico
Minha saliva nunca guardei para ninguém
Eu te amava
E os que distribuíam sorrisos na mesa
Ou no fundo da mesa...
Não guardavam o pecado
O pecado que eu vomitava
Vomitava, na mesa, entre os dentes
E ainda assim resolve enganar
Todos eles que distribuem saliva na mesa de centro
Eu não bebi a última cerveja
Mas você me encontrou com gemido nos olhos
Era parte do tecido
Um tecido ruim
Você pagava o pecado na mesa
E eu nunca, guardei nada para ninguém
Eu te amava
Te amava
Como um sorriso no fundo
Ou uma porca pintada de verde e vermelho
Eu te amei com gemido na mesa
Eu era erótico
Minha saliva nunca guardei para ninguém
Eu te amava
E os que distribuíam sorrisos na mesa
Ou no fundo da mesa...
Não guardavam o pecado
O pecado que eu vomitava
Vomitava, na mesa, entre os dentes
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Sacramento Póstumo
Por José Oiticica
Quando eu morrer, sê tu o meu coveiro:
Enterra-me tu mesma em teu jardim
E, sôbre a cova, num vulgar canteiro,
Cultiva rosas e medita em mim
Bendize êste destino alvissareiro
Que nos uniu tão de alma e corpo, assim,
Que te fêz Dama e a mim teu Cavaleiro
- Um palafrém atrás de um palanquim.
Projeta, no incorpóreo onde me alento,
O calor emotivo dos teus ais
E as rutilâncias do teu pensamento...
E assim, amar-nos-emos inda mais,
Erguendo, num piedoso sacramento,
As nossas duas almas imortais.
Em breve conto a história desse fabuloso poeta anarquista...
Quando eu morrer, sê tu o meu coveiro:
Enterra-me tu mesma em teu jardim
E, sôbre a cova, num vulgar canteiro,
Cultiva rosas e medita em mim
Bendize êste destino alvissareiro
Que nos uniu tão de alma e corpo, assim,
Que te fêz Dama e a mim teu Cavaleiro
- Um palafrém atrás de um palanquim.
Projeta, no incorpóreo onde me alento,
O calor emotivo dos teus ais
E as rutilâncias do teu pensamento...
E assim, amar-nos-emos inda mais,
Erguendo, num piedoso sacramento,
As nossas duas almas imortais.
Em breve conto a história desse fabuloso poeta anarquista...
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domingo, 10 de agosto de 2008
Ode a modernidade tardia
Alumínio! Silício! Cimento!
Velocidade, Ônibus, metrô, um alento!
Perfídia no centro da cidade.
Paralelepípedo, música alta.
Estoura os tímpanos! Fluoexetina, chacina, casebre.
Gente junta. Gente jovem. Gemidos reunidos.
Gestão da pobreza nos postes. Época de eleição.
Ereção, falsa ereção, remédio, poluição, indústria.
Comeu esquartejada, matou a frase e foi no cinema.
Com uma faca de açougueiro. No enterro.
No enterro das certezas, das categorias, construídas.
Todas unidas!
Levaram embora, levaram embora o silício, o alento, o aumento...
Tornaram modernos, modernos tardiamente, novos, e incorrosíveis, e desprezíveis ventos.
Velocidade, Ônibus, metrô, um alento!
Perfídia no centro da cidade.
Paralelepípedo, música alta.
Estoura os tímpanos! Fluoexetina, chacina, casebre.
Gente junta. Gente jovem. Gemidos reunidos.
Gestão da pobreza nos postes. Época de eleição.
Ereção, falsa ereção, remédio, poluição, indústria.
Comeu esquartejada, matou a frase e foi no cinema.
Com uma faca de açougueiro. No enterro.
No enterro das certezas, das categorias, construídas.
Todas unidas!
Levaram embora, levaram embora o silício, o alento, o aumento...
Tornaram modernos, modernos tardiamente, novos, e incorrosíveis, e desprezíveis ventos.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Impermanente
Retorno simples, ponho-me a disposição da angústia, caminho entrecortado, cindido como um asfalto quebradiço, juntando cacos de lembrança, de saudade, de esperança: sou um passado vazio.
Estou agora, como é raro estar. Estou em um momento curto; uma reflexão, um surto, mas seria demasiado inverídico afirmar minha total permanência. Na verdade sou. Sou o tempo todo, não tenho forças para estar, sou pois não estou, pois estar depreende uma estabilidade que não me pertence, estar necessita ligação, empatia, vigorosos laços com o presente, fato que me é estranho, enérgicamente estranho.
Eu sou, sou e portanto atravesso, não me prendo no momento, no presente, não olho para o futuro; eternamente preso no passado, na experiência do outrém, no factual cuja lembrança é mero vestígio.
Meu presente é um jazigo do passado. Meu passado é vida, vida pretérita, entrecortada, cindida, quebradiça.
Eu sou. Sou um sincero e arruinado vestígio.
Estou agora, como é raro estar. Estou em um momento curto; uma reflexão, um surto, mas seria demasiado inverídico afirmar minha total permanência. Na verdade sou. Sou o tempo todo, não tenho forças para estar, sou pois não estou, pois estar depreende uma estabilidade que não me pertence, estar necessita ligação, empatia, vigorosos laços com o presente, fato que me é estranho, enérgicamente estranho.
Eu sou, sou e portanto atravesso, não me prendo no momento, no presente, não olho para o futuro; eternamente preso no passado, na experiência do outrém, no factual cuja lembrança é mero vestígio.
Meu presente é um jazigo do passado. Meu passado é vida, vida pretérita, entrecortada, cindida, quebradiça.
Eu sou. Sou um sincero e arruinado vestígio.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Noites
Costura
E fecha minha boca
No leito fosco
Sobre meu peito
Jaz o de repente
Corta, ajeita
Prova e reprova
Adocica a face oculta
Faz de mim um acaso
Acaso pensado.
Sou teu
Ainda não
Nem tão teu
E ainda mesmo...
Mesmo morto
Meio vivo, meio morto
Planto segredos
Segredos bobos
Na tua boca
Tua boca
Boca inerte
E fecha minha boca
No leito fosco
Sobre meu peito
Jaz o de repente
Corta, ajeita
Prova e reprova
Adocica a face oculta
Faz de mim um acaso
Acaso pensado.
Sou teu
Ainda não
Nem tão teu
E ainda mesmo...
Mesmo morto
Meio vivo, meio morto
Planto segredos
Segredos bobos
Na tua boca
Tua boca
Boca inerte
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