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domingo, 22 de fevereiro de 2009

Depois e durante o carnaval: lembranças

Tudo me lembra ela. E ela nem sabe.

Se soubesse, eu me lembraria pouco, pois estaria tranquilo pela sua lembrança.

Conquanto o amor só traz inquietação, traz em si, cervejas, traz poetas sozinhos, traz assim, um pedaço de mundo completamente perdido, perdido dentro daquilo que não prestava e que sem pistas, deixava sem dúvidas aquilo que era parido, parido e mal esculpido assim; na dúvida.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Modelo de carta de amor volume 05 - Livre para Usar e Abusar

Por sob a fachada, há um homem não tão complexo, que busca algo não tão requintado, e que diante da simplicidade de um beijo, de um abraço, ou de algo que se assemelhe ao mais próximo da sinceridade refugia-se em torno de desejos efetivamente simples.

Olhar as nuvens acompanhado, beijar a fronte enquanto ela pensa ou diz outra coisa concentrada, e é delicioso desconcentrá-la; piquenique com formigas e paixão, uma andar que emoldura um delicioso jogo de esgrima sem vencedores e vencidos, um rascunho de poesia num guardanapo, cócegas no parque.

O toque das mãos, o olhar sem promessas e defesas, o abraço que engole o mundo encolhido diante do beijo, as línguas que se tocam e fervem algo que é muito mais do que um amontoado de células nervosas; a fé no circuito simples da vida.

O cheiro de grama molhada, a chuva que encara o casal, o desafio sobreposto em manuscritos com recortes de cartolina vermelha, a vontade, o desespero de permanecer sozinho junto da multidão, das flores.

Nas instruções de uso, as da página 27 que colorem o contrato de garantia do eletrodoméstico comprado por cinco maldosas prestações, há uma cláusula escondida e colocada por um bon vivant do setor de arrecadações, e que diz respeito à como os amantes devem se portar nos dias da semana, e uma delas diz que os beijos devem ser medidos por intensidade, pressão e desejo.

Devoluções do manual não são aceitas, todos os que tentaram e foram poucos os que fizeram, ganharam beijos e devolveram-se estupefatos por sobre o balcão.

Num estado desconhecido de um país vizinho da Birmânia, os homens e as mulheres que se apaixonam são obrigados à conviverem com pacientes terminais uma vez por semana e se comportarem nos dias restantes como se a doença fosse contagiosa e não houvesse vacina, vergonha, ou saída.

Nas salas de embarque de um país da América do Sul, há um setor específico para os mais apaixonados. Os que entram precisam provar sua paixão e convencer metade da fila do embarque. Ganham rosas, café da manhã e um embarque e destino à esmo; o coração é o que os guia.

Enquanto isso, na Península Ibérica, alguém, fumando um cigarro em uma varanda, completamente fria e molhada pelo tempo, sofre por um amor não-correspondido. Há vida, e não só flores.

Numa estrada do interior do sul da Itália, alguém carrega flores, sem saber que mãos irão recebê-las, nunca sabemos; o processo de colher as flores não é tão apaixonante, são treze trabalhadores informais, sem direitos trabalhistas e que quando apaixonam-se, por razões ocultas ou óbvias não desejam ver flores, querem filhos e casas.

O ritual de venda na urbe já desapaixonante tampouco seduz: e é por isso, que os verdadeiros e verdadeiras apaixonadas, roubam as flores ao invés de comprá-las no mercado local.

Alguém persegue um ladrão de flores, ele se esconde na esquina e o vigia que nunca amou ninguém desiste do intento.

O ladrão, que apesar de não estar amando ninguém(mas pretende), guardou a flor e a história para ela, ela mesmo, que ainda nem chegou na sua vida, mas que está oculta por uma profunda intuição, uma história e um destino bonito, que se fez mesmo em literatura.

Colocou a rosa e a idéia em cima da escrivaninha, apagou a luz, e prometeu escrever e ler tudo aquilo para ela, e quando chegasse o momento, ela saberia, quando ele resolvesse ler tudo aquilo, desde o início, que é apenas o coração que os guia.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Hagiografia de pecadores

Júlia queria viajar para o Uruguai e levar a vida junto. O país recortado por fronteiras imaginárias e que nunca existiram esperou.

Renato, com uma ansiedade menor que o preço da passagem, aguardava um ônibus sujo, numa madrugada imunda do dia dezessete de um mês ruim.

Alessandra queria terminar uma poesia e só precisava de uma idéia ou de uma caneta, mas só tinha o número da conta do banco no bolso.

Miguel, transbordava emoção no centro da cidade, e seguia evitando as linhas de uma calçada no cruzamento da rua Ouvidor.

O sorriso de Augusto falava por ele; quando encontrava Luisa, seus dentes não acertavam o compasso.

Nicolai esperava alguma coisa acontecer, mas só lhe chegavam desejos impossíveis e balas de mascar nos ônibus mais desconfortáveis.

O coração de Joana guardava Felipe em um de seus cômodos mais aconchegantes, mas Enrico ainda tinha um esperança que o inquilino atrasaria o aluguel.

sábado, 22 de novembro de 2008

Quando amava...

Caso amasse e amassasse a folha num surto impetuoso de vergonha, ainda um quase-bobo, recostado sem pressa no banco da praça, dispensaria as flores, e retomaria a escrita sem desistir, pois da janela e do ridículo só lhe cabiam eram poemas.

Enfiaria-se nos sebos da cidade, atrás do Neruda, um Neruda só para ela. Aquele de capa azul e de beijo de língua quando dado. Um Neruda com um tesão guardado na página dezessete, um Neruda com um sexo apressado, num quarto vazio, num vazio paulista, espreitado pelos possíveis voyeurs, um Neruda demasiadamente idealizado diga-se de passagem.

Mas convenhamos; o melhor Neruda que ele já leu.

Em dias de calor passearia pelo seu corpo com uma pedra de gelo, beijaria-a na nuca e por todo o corpo deslizaria sua volúpia já verão e tardia diante da primavera perdida. Apaixonariam-se, mútuamente, não só.

Ele pintaria; e pinta mal, mas dos elogios dela não escaparia. Pois não se escapa do amor, pois o amor mata e morre impiedosamente, e a neutralidade no amor é uma quimera feia, incapacitada e que não existe de verdade.

Ele pintaria o quarto todo, antes do aniversário dela, das trocas de anos, pintaria e mandaria cartões cuidadosamente recortados por ele, um tanto sem didática, mas convidaria-a a bailar entre os corações tortos que ele, o torto, resolveu desenhar e recortar, num sábado a noite sozinho, pensando e recortando ela própria, com a cartolina vermelha nas mãos e em seu coração.

Faria brigadeiro no sábado frio e ele nem gosta tanto de brigadeiro. Mas o roçar de corpos, o sorriso no apartamento do Catete e o próprio ritual despretensioso de caminharem juntos dentro do supermercado, um ritual inútil para as rotinas mas não para o amor, lhe convenciam que o brigadeiro era sim a melhor sobremesa do bairro, do estado, e do mundo.

Escreveria cartas, e com esmero, tentaria sempre surpreendê-la, por que é deste jeito que este homem funciona, é deste jeito que caminha sem olhar para as tragédias alheias sem desanimar, é deste jeito que ele produz sorrisos às duas, às três e às onze e cinquenta da manhã; quando ela acorda e se ajeita por entre seus cabelos negros, quando ela se ajeita e mordisca-o, e ele provocado, acaba atacando-a com declarações de amor em forma de cócegas.

Ele esquivaria-se, e brincariam como duas crianças, antes do sexo, antes de cochilarem ao som daquela música francesa e antes de brigarem como duas crianças, apenas para saborearem o tempero da divergência e do ciúme, tolo ciúme.

Ele lembraria dela, uma, duas ou três vezes no instante decalcado do tempo, e no banho quando esquecesse, ela perguntaria o porquê daquele olhar tão distante, que distante dela apenas buscou em si mesmo uma outra forma mais criativa de agradá-la, e por fim de criar e recriá-la através de um sorriso lindo: era aí, exatamente neste ponto, que os dois se abraçariam por sob as gotas de água e fariam poesia apenas com os corpos.

E quando cansassem, apenas esgotariam suas próprias liberdades, apenas as esgotariam, e quando voltassem cheios de si próprios, beijariam os lábios, e caminhariam por entre os paralelepípedos de mãos dadas respondendo a terrível pergunta: "onde está o amor, onde está o amor?"

Dariam vexames, e vexames dos mais livres, por que costumavam ignorar parte do mundo enquanto estavam sozinhos consigo mesmos. E sorririam, adorariam-se sem possuir um ao outro, e assim recordariam seus melhores momentos da forma mais exigente possível: vivendo.

Ele faria, faria isto tudo. Faria sem pestanejar, faria sem enquadrá-la nos horizontes de expectativa ou nos passados que sobredeterminavam a vida dos frouxos ou dos temerosos. Faria isto tudo, amaria como uma dinamite, sem nenhum senão, sem nenhum porquê...

Amaria-a, assim como escreveu, amaria-a intensamente, se houvesse algo além do que ele próprio esculpia. Amaria intensamente e faria tudo como assim descreveu, se ela realmente existisse, esta personagem de conto, de sonho, da idealização.

Por enquanto, jogava gamão e escrevia, com a cerveja, a música francesa e a imaginação; fria como um arrabalde emocional; assim, sempre esquecido.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Disputas Interiores: Durden ou Poulain?


Olhando para tudo o que aconteceu, tinha quase certeza de que o caminho, sim, pois era seu sem dúvida, era um caminho pra lá de interessante. A maneira com que recriava a vida ao seu redor, era em suma, parte de um processo global, isto é verdade, e acreditava e confiava nas redes que o envolviam, e tudo, tudo, dizia lembrando daquela terça-feira mágica, era parte daquela trilha, daquela estrada, deste caminho, ríspido, suave, intenso, jocoso, brilhante.

Poderia encher o copo da vida uma ou duas vezes, antes de experimentar a dor, e o que era a alegria sem a dor, o que era a paixão sem o ódio, o que era o dualismo sem o relativismo, o que era ele próprio sem si mesmo!!! Confiar no sagrado era o início de um processo curto de esperança. Era um feixe de respiração otimista.

Fazendo um balanço sincero e motivado de seus/meus próprios costumes lembrava demasiadamente das músicas tristes, das cartas sinceras, das lágrimas despejadas sob o copo de cerveja preta, que ele, sim, ele tanto adorava. Era um romântico incurável, e românticos incuráveis, necessitam de mais tempo, nenhum tempo é tão escasso, quanto o tempo dos românticos incuráveis. Ele sabia, e demonstrava a cada gesto, que era uma junção de simplicidade explorada demasiadamente pelo destino a ponto de exaurir seu próprio otimismo; e no entanto conseguia a cada respiração, ser visitado pela morte sete vezes, assim como os budistas; e que deus os tenha.

Mas lhe faltava maldade. Não se referia ao mal convencional dos filmes hollywoodianos ou das igrejas de final de semana; faltava-lhe, e podia perceber a cada evento, uma percepção mais nítida, e a este ponto preferia a palavra parceria como o oposto do que ele era e negava.

Era claro e necessário, que ele deveria fortalecer aquele lado escuro, que tanto deixara-se ofuscar por sua parte mais criativa e dera a uma ampla gama de jogadoras, a oportunidade de deliciarem-se com modelos paranóides produzidos sob situações de tensão; ou diria melhor, bonequinhos perfeitos, imagens projetadas no espírito do tempo a partir de espasmos pré-românticos, mas veja bem, e preste atenção neste período, neste momento, tão particular e talvez inovador... espasmos pré-românticos são como comportamentos clichês às sete da manhã.

"Passe-me a manteiga por favor! (me passa a porra da manteiga!!!)."

O espírito do tempo não estava com ele desta vez(nunca esteve). Adaptaria-se?

Adorava utilizar opostos para explicitar a si próprio; água x fogo, yin x yang, sombra x luz e como a modernidade lhe impunha novas e sensacionalistas abordagens, Anatole resolvera escolher a dicotomia durden x poulain, que era um produto de filmes baratos que resolvera rever para explicar a si mesmo e aos leitores(dois ou três - num dia de sorte) o que era dicotômico em sua, em nossa, personalidade. (se você chegou até aqui parabéns! força! continue!)

Oposições que se completavam, mas que neste momento digladiavam-se em torno de uma resposta. Ele vai ter de escolher - diziam nos corredores do inconsciente.

Conseguiria trazer sua sombra?, sim ela dizia faminta - você consegue meu jovem, enquanto jovem; conseguirá empurrar mais para o fundo esta velha, sim, pois anime-se os anos 90 já acabaram junto com suas camisas de flanela, esta velha-idosa Poulain, espírito ultrapassado e prestes a reanimar o velho Durden, este arquétipo raivoso, esta parte de si que calava todas as vezes em que se confrontava com a doçura de uma parte de si que predominara durante todo o jogo; deixe ele tomar as rédeas da situação, deixe o velho durden dominar.

É claro que isso tinha um custo. Ele sabia, e dialogava muito oportunamente com os dois, com meio cigarro na boca, e um copo de cerveja preta, olhando para o horizonte(e seu horizonte era bem limitado por cinco ou seis prédios - isto dependia da quantidade de vodka) que tal tarefa não era tão fácil como poderia aparentar.

Sabia exatamente, que um estava em posição mais vantajosa do que os demais; Vasilli não admitia a princípio, mas as queimaduras de cigarro de quatro ou cinco anos arriscavam palpites de quem ganharia naquele momento o jogo, e isto era suficientemente claro para demonstrar que era hora de cultivar um caos dentro de si, não uma estrela brilhante, mas uma super-nova que talvez conseguiria gerir algo novo... de uma vez por todas.

Matar Poulain, enterrar Durden, talvez seja o caminho.... Ele não sabia exatamente...

Talvez devesse seguir o fluxo, parece fácil quando não se escreve por compulsão. Nada constava como editável, aproveitável; o lixo literário estava aí. O excesso de cerveja preta denunciava que seria mais durden do que poulain e não, ele não aceitava conselhos, por que esta mudança era temporária como toda mudança (normalmente) é. Decerto a maioria inspirava-se e acostumara-se a conviver mais com Vassili em sua fase "Poulain", fazia sentido, já que o espírito do tempo abortava milhares, milhões de Amélies Poulains sistemáticamente...

E a gente costuma projetar no outro o que a gente quer ser. E assim fica fácil pedir para Vasilli ser mais Poulain. Quando o que ele quer. É ser mais sombra, é ser mais durden.

[sorriso da ruiva no canto da sala - cigarro na boca, fumaça no ar, ele dormindo, ela acordada, vestindo preto, sofá sujo, gato preto na casa, lixo no quarto.]

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Marasmo produtivo? Digamos... mangas no quintal...

Volto quando puder. As mangas não param de cair.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Mangas no quintal

Meu mundo girou
E tem mangas caídas no meu quintal
Meu mundo mudou
E tem cheiro de manga fresca no meu quintal
As mangas repousam no chão

E eu insisto em não catá-las
Por que só penso no redemoinho
De olhos verdes
As mangas não estão verdes
E nem precipitadas

Ainda assim...
A bagunça do meu jardim
E as demais mangas jogadas na grama
Jamais foram tão lindas
Tão lindas como agora são

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Mudanças e Andanças

Não sei
Não sei
Por que se soubesse
Não sentiria
Apenas sinto
Sinto, mirando as estrelas
Tuas estrelas
Que tu abrigas
Em teus olhos